Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para retomar prévias, PSDB vai contratar nova empresa para aplicativo de votação

Relatasoft foi a empresa escolhida para cuidar da iniciativa desde que o novo sistema passe pelo 'teste de estresse' ao qual será submetido; empresa integra o Projeto Eleições do Futuro, do Tribunal Superior Eleitoral

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2021 | 16h21

BRASÍLIA — O PSDB decidiu contratar uma nova empresa para concluir o sistema de votação de suas prévias presidenciais. No último domingo, 21, o partido foi obrigado a suspender o processo de escolha do candidato tucano ao Palácio do Planalto após uma série de falhas apresentadas pelo aplicativo da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), contratada para o serviço. 

Agora, a Relatasoft foi escolhida para cuidar do novo aplicativo, o D. Voto, desde que o sistema passe pelo “teste de estresse” ao qual será submetido durante toda a madrugada desta quarta-feira. A empresa integra o Projeto Eleições do Futuro, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A ideia é retomar a votação o mais rapidamente possível. Mas, além dos ajustes técnicos, a nova data depende das negociações políticas entre os candidatos. Disputam as prévias os governadores João Doria (São Paulo), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

Doria e Virgílio deram entrevista juntos e defenderam a adoção do novo aplicativo para concluir as prévias do partido. “Queremos que esse desfecho seja feito no período mais curto com a conclusão das prévias sendo realizadas no máximo até o domingo”, disse Doria. O tucano também saiu em defesa do presidente do PSDB, Bruno Araújo, que passou a receber críticas internas pelos problemas ocorridos com o aplicativo. As falhas na ferramenta on line arranharam ainda mais a imagem do partido.

Segundo dirigentes do PSDB, os técnicos da Faurgs não forneceram explicações convincentes sobre o problema envolvendo a ferramenta de votação nem teriam oferecido soluções seguras para que continuassem participando das prévias. O aplicativo custou cerca de R$1,5 milhão.

“O PSDB foi vítima de um problema técnico nas prévias para escolher seu candidato à presidência da República e busca meio para retomá-las. Entre as possibilidades, já há empresa que será submetida ao teste de estresse por todas as candidaturas", informou o partido, em nota oficial. "Mais alternativas estão em análise. Ainda não foi apresentado diagnóstico do ocorrido pela Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), desenvolvedora do aplicativo que apresentou falhas. O fundamental é garantir o voto dos filiados já cadastrados.  Os votos já registrados na urna e em aplicativo estão válidos e serão computados.”

Apesar das divergências, há consenso entre os tucanos sobre o desgaste provocado por causa da suspensão das prévias. Além disso, o problema exibiu o acirramento da disputa entre os grupos de Doria e Leite.

Alguns ataques foram considerados muito acima do tom para um debate de prévias. Leite, por exemplo, chegou a insinuar que houve compra de votos por parte da campanha de Doria, sem apresentar provas. O governador paulista e Arthur Virgílio, por sua vez, acusaram o gaúcho de ser manipulado pelo deputado Aécio Neves (MG) e de querer “melar” as prévias. 

Leite chamou Virgílio de “laranja” de Doria, alegando haver um alinhamento entre as duas campanhas. Disse ainda que, se houve hacker no sistema de votação, o assunto é caso de Polícia.

“Como pode ele me chamar de laranja? Um cara como eu que enfrentou a ditadura militar? Como ofende uma pessoa desse jeito? Ele está ouvindo o tutor dele, que é o Aécio”, reclamou o ex-prefeito e ex-senador. Virgílio também criticou fortemente o bolsonarismo demonstrado por boa parte da bancada do PSDB no Congresso.

 

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