Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Para Requião, 'espetáculo' da Carne Fraca incentiva votação do projeto de abuso de autoridade

Relator do texto afirma que ruralistas 'viram o que pode levar a irresponsabilidade de uma operação policial'

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

24 Março 2017 | 15h06

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), relator do projeto de lei do abuso de autoridade no Senado, disse nesta sexta-feira, 24, que o texto tem todas as condições de ser aprovado após a Polícia Federal (PF) ter protagonizado um "espetáculo" ao deflagrar a Operação Carne Fraca, que investiga esquema de corrupção entre agentes públicos, políticos e frigoríficos.

"Eu acho que tem todas as condições de ser aprovado agora, principalmente com a operação Carne Fraca. Os ruralistas viram o que pode levar a irresponsabilidade de uma operação policial", disse o senador, em São Paulo. O senador ressaltou que defendia a punição de eventuais culpados, mas que a PF fez com que a economia do País fosse prejudicada. "A operação deveria ter sido feita e deve botar esses deputados envolvidos e os fiscais do Ministério da Agricultura na cadeia. Mas, pela irresponsabilidade, o desejo do espetáculo acabou criando um problema monumental para a economia do País", declarou.

Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de parlamentares de oposição, Requião participa de um debate realizado pelo PT em São Paulo para discutir a Operação Lava Jato.

O projeto que Requião institui o crime de responsabilidade para agentes públicos e é visto como ameaça ao avanço nas investigações da operação. Nesta semana, Requião apresentou o parecer do projeto e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Edison Lobão (PMDB-MA), confirmou a inserção da proposta na pauta do colegiado, com previsão para ser votado em abril. "Eu acho que tem todas as condições de ser aprovado agora, principalmente com a operação Carne Fraca. Os ruralistas viram ao que pode levar a irresponsabilidade de uma operação policial", disse o senador.

Requião afirmou que o único ponto que gera divergências no texto é a punição a juízes que fazem interpretações excessivas da lei. "Esse abuso da liberdade absoluta na interpretação é o que gera discussão, com o resto não há divergência de ninguém. Nós vamos manter evidentemente essa posição no relatório", destacou.

Lista fechada. Senador do PMDB crítico ao presidente Michel Temer, Requião não é favorável à proposta de aprovar a adoção do voto em lista fechada nas próximas eleições, como propõe o deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator do tema em comissão da Câmara. "Isso é uma picaretagem monumental. Isso não passa (no Congresso)", disse Requião ao ser questionado sobre a proposta.

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