Para Renan, denúncia de sócio em rádio não piora seu caso

Presidente do Senado acredita que afirmação de Lyra confirma que está sendo 'alvo de disputa política regional'

ANA PAULA SCINOCCA, Estadão

13 de agosto de 2007 | 20h19

Em conversa com assessores e amigos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), avaliou que as declarações do ex-deputado e usineiro João Lyra à revista Veja, confirmando a sociedade entre os dois na compra de uma rádio e um jornal, intermediada por "laranjas", não agravam a situação política dele. Para o senador, a afirmação de Lyra só referenda sua defesa de que está sendo "alvo de disputa política regional". Na semana passada, em discurso na tribuna, Renan afirmou que é vítima de adversários políticos derrotados em Alagoas, citando João Lyra (PTB) e a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL).   Veja também:   Cronologia do caso Renan     Veja especial sobre o caso Renan    No último sábado, quando a revista chegou às bancas, Renan disparou telefonemas antes de embarcar para São Paulo, onde passou o final de semana com a mulher em compromissos pessoais. "Ele não será o meu Eriberto", disse Renan, segundo relato de amigos. Foi uma referência a Eriberto França, motorista da secretária particular de Fernando Collor de Mello, Ana Acioli, e que apresentou recibo de pagamento com cheque de "laranjas" do ex-tesoureiro de Collor, Paulo César Farias.       Lyra disse à Veja que Renan comprou a JR Radiodifusão em sociedade com ele, em 1999, investindo R$ 1,3 milhão no negócio. O usineiro contou que, como o senador não podia aparecer, registrou a empresa em nome de dois "laranjas": Renan Calheiros Filho, o Renanzinho, e Tito Uchôa, seu primo. A sociedade secreta teria durado de 1999 a 2005. Hoje, o usineiro e o senador são adversários políticos. Renan nega as acusações e diz estar sendo vítima de uma "campanha eleitoral" sem provas.Prestes a enfrentar mais dois processos no Conselho de Ética - um do caso Schincariol (à espera, apenas, de relator) e o da sociedade com "laranjas" em Alagoas (que deve ser aprovado pela Mesa Diretora nesta quinta-feira) -, Renan tem tentado aparentar tranqüilidade. Tem insistido que não pretende deixar o comando do Senado, apesar do aumento da pressão para que se afaste do cargo até a conclusão das investigações.     Corregedoria do Senado   O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM), afirmou nesta segunda-feira que vai pedir auxílio da Polícia Federal para localizar o usineiro João Lyra. Ele será convidado a esclarecer como foi montada sua sociedade secreta com Renan na compra de uma emissora de rádio e um jornal, em Alagoas.  Segundo a rádio CBN, Lyra será convidado e não convocado pela Corregedoria do Senado, que não tem essa autoridade. Mas o convite ainda não foi feito pois o suposto 'sócio' de Renan não foi encontrado.   A confirmação do negócio, feita por Lyra em entrevista à revista Veja, preocupou o Planalto e fez aumentar o coro dos que pregam sua renúncia. Agora, em mais uma tentativa de fechar o cerco, a oposição também quer que o Conselho de Ética convoque o usineiro para depor.   "Vou entrar em contato com João Lyra para ouvi-lo e investigar essa história. Os indícios são graves e é preciso saber se existiu algum contrato de gaveta", afirmou Tuma. Para Renato Casagrande (PSB-ES), Lyra terá de ser chamado ao Conselho de Ética assim que for nomeado o relator da nova representação protocolada contra o presidente do Senado para cuidar das denúncias que envolvem as emissoras de rádio.   Terceiro processo   A confirmação pelo antigo sócio de Renan de que o senador usava "laranjas" para esconder sociedade dos dois em empresas de comunicação praticamente selou a decisão da Mesa da Casa de mandar para o Conselho de Ética o terceiro pedido de abertura de processo contra o presidente do Congresso. A representação contra Renan, feita por PSDB e DEM, vai ser votada em reunião da Mesa do Senado marcada para quinta-feira. Hoje, o segundo vice-presidente do Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), deu como certo o envio da representação para o conselho. "Não resta alternativa. A Mesa enviará (a representação ao Conselho). A decisão é de natureza formal", afirmou.   Perícia   A Polícia Federal informou ao Conselho de Ética do Senado que entrega na próxima quinta-feira o resultado da perícia nos documentos de defesa do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), com uma resposta conclusiva sobre os 30 quesitos formulados.   O laudo vai dizer se tem origem legal a fortuna de Renan, estimada em cerca de R$ 10 milhões, avaliar a legalidade das operações de venda de gado, com as quais ele alega ter faturado R$ 1,9 milhões em quatro anos e atestar se ele usou recursos próprios, como alega, no pagamento de despesas pessoais, como a pensão paga à jornalista Mônica Veloso, com a qual tem uma filha.   O laudo está sendo concluído pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC). O laudo do INC deveria ser entregue amanhã, mas sua conclusão foi adiada devido à demora na entrega de todos os documentos. var keywords = ""; var keywords = "";

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