Geraldo Magela/Ag. Senado
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Para relator da CPI, governador de GO mentiu sobre venda de casa

Após o depoimento do arquiteto que trabalhou no imóvel onde o contraventor foi preso, deputado Odair Cunha disse não ter dúvidas sobre as relações entre Marconi Perillo e o bicheiro

Ricardo Brito, da Agência Estado

26 de junho de 2012 | 16h29

BRASÍLIA - O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse na sessão desta terça-feira, 26, que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mentiu à comissão ao explicar a venda da sua casa no ano passado. "Com certeza (o governador mentiu). Está evidente que a história foi uma história montada. A história da casa é para negar a relação do governador com o senhor Carlinhos Cachoeira", afirmou Odair, ao fim do depoimento do arquiteto Alexandre Milhomen.

 

Segundo o relator da comissão, Cachoeira tenta "o tempo inteiro" esconder de quem havia comprado a casa. Ele disse que há interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, no curso da Operação Monte Carlo, que revelam que ele manda rasgar um contrato de compra e venda firmado entre o contraventor e Perillo.

 

A casa, avaliada em R$ 1,4 milhão, foi paga com três cheques de uma empresa que tem como sócio um dos sobrinhos de Cachoeira, Leonardo de Almeida Ramos. À CPI, Perillo negou saber quem havia comprado a casa, tendo transferido toda a negociação para o ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB). O relator poderá sugerir ao final dos trabalhos que indicie Perillo pelo crime de perjúrio, quando alguém mente em um depoimento.

 

Para Odair Cunha, outra prova da transação é a de que a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, contratou o arquiteto Alexandre Milhomen para trabalhar no projeto de decoração da casa. O arquiteto recebeu R$ 10 mil em cinco parcelas, uma das quais paga com recursos da Alberto e Pantoja, empresa do esquema do contraventor.

 

O relator da CPI questionou ainda o fato de Cachoeira ter gasto R$ 500 mil para mobiliar uma casa somente para habitá-la por alguns meses. O arquiteto afirmou à comissão que Andressa disse a ele que o casal iria morar lá provisoriamente.

 

Cunha disse que não será obrigatória a volta de Perillo à CPI. Segundo ele, a comissão vai buscar "meios de prova para desmontar a tese aqui desenhada". O relator observou que, se tivesse interesse em esclarecer o fato, Lúcio Fiúza Gouthier, ex-assessor especial do governador goiano, não teria pedido um habeas corpus para permanecer em silêncio nesta terça na comissão. Fiúza participou da negociação da venda da casa de Perillo.

 

Discussão. Parlamentares do PSDB acusaram o deputado Odair Cunha (PT-MG), de direcionar as investigações para atingir o governador de Goiás. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que o depoimento do arquiteto Alexandre Milhomen é "vexatório" e "diminui" a importância da comissão de investigação parlamentar.

 

Sampaio disse que não sabia se o relator está agindo dessa forma a mando do ex-presidente Lula ou por missão partidária. "Todos percebem que o papel do relator é direcionado", criticou.

 

Cunha rebateu: "O direcionamento não é da relatoria, é do senhor Carlos Cachoeira, que ameaça juízes, que ameaça promotores", afirmou. "Não quero acreditar que Vossa Excelência esteja aqui para defender a organização do senhor Carlos Cachoeira", disse, ressaltando que a organização criminosa teria atuado no governo de Goiás. "Quem deveria prender o contraventor, é seu aliado. Ele sentou aqui nesta cadeira e o chamou de empresário", afirmou.

 

Os tucanos e o senador Pedro Taques (PDT-MT) contestaram o fato de Odair Cunha não ter questionado Milhomen por ter recebido R$ 10 mil da Alberto & Pantoja, empresa de fachada controlada pelo esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira e que recebeu milhões em recursos da Delta Construções. A empreiteira recebeu mais de R$ 5,7 bilhões para tocar obras do governo federal.

 

"Nós temos recebido variadas formas de informação. Ele (o arquiteto) falou que recebeu R$ 50 mil", disse Cunha, lacônico.

 

 

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