Pará rejeita ajuda das polícias de outros Estados

O Pará descarta a possibilidade de pedir a ajuda das polícias de outros Estados para acabar com a greve de seus 2.600 policiais civis, que já dura 14 dias. "Isso não tem sentido. Não vejo como trazer policiais de fora para prestar atendimento à população das delegacias", reagiu o secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara. O governador Almir Gabriel, que evita comentar publicamente o assunto, tem dito a assessores ser contra a unificação das polícias Civil e Militar, como deseja o governo federal. Gabriel se recusa a conversar com os líderes dos policiais civis em greve enquanto todos não voltarem ao trabalho. Os policiais reivindicam 30% de reposição das perdas salariais para encerrar a greve. "Sem essa reposição, a greve continua", reagiu o presidente da Associação dos Delegados de Polícia, Raimundo Benassuly. "A população é quem está sendo penalizada com essa atitude de servidores públicos que são pagos para dar segurança a ela", atacou o governador.Sette Câmara disse que aumentar o salário de uma classe implica aumento de toda a categoria de funcionários públicos. "A principal obrigação do governo é atender e proteger um bem maior, que é o cidadão, e não apenas certas categorias". Hoje os policiais decidiram criar a "Operação Parafuso", que significa reduzir ainda mais o número de investigadores, escrivães e delegados presentes nas delegacias da capital e do interior paraense. O governo tentou na Justiça fazer com que a greve seja considerada abusiva, mas teve sua pretensão rejeitada pela juíza da 21ª Vara Cível de Belém, Rosileide Barros. A juíza determinou, porém, que um oficial de Justiça verifique se os policiais civis em greve estão mantendo na ativa 30% do efetivo, conforme prometido pelo comando do movimento. Se a "Operação Parafuso" estiver em andamento, os policiais poderão ser punidos por desobediência à lei.

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