Para PT, segundo mandato está em disputa

Para PT, segundo mandato está em disputa

Rui Falcão diz que coalizão justifica indicações ortodoxas de Dilma e afirma que sigla luta por espaço no governo ‘assim como outros partidos

Ricardo Galhardo, Enviado Especial/Fortaleza, O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2014 | 14h19

FORTALEZA - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse neste sábado, 29, em Fortaleza (CE), que o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff é um governo em disputa e as nomeações de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e Kátia Abreu para a Agricultura se justificam no sistema de coalizão.

“Um governo de coalizão é um governo de disputa. Nós disputamos espaço assim como outros partidos também disputam espaço. O fundamental é que a presidente da República é filiada ao PT”, afirmou Falcão, durante reunião do diretório nacional petista, na capital cearense.

Sobre a indicação da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para a pasta da Agricultura, o presidente do PT destacou que ela pode representar mais uma cadeira no Senado para o partido. O suplente de Kátia Abreu é o ex-presidente do diretório estadual do PT do Tocantins Donizeti Nogueira. “Há gente inclusive contente porque pode significar mais um senador para o PT.”

Durante a reunião do diretório nacional, a cúpula petista demonstrou resignação e considerou “coisa feita” as nomeações de Levy e Kátia Abreu.

Na noite de sexta-feira (28), Dilma participou da reunião do diretório nacional e associou a guinada ortodoxa com escolha dos nomes da equipe econômica à governabilidade. Ao mesmo tempo, fez um apelo à “maturidade” dos petistas, que reclamam do fato de ela ter sido reeleita com um discurso - contra o corte de gastos - e agora sinalizar com uma prática oposta.

“Nós temos que tomar as medidas necessárias, sem rupturas, sem choques, de maneira gradual e eficiente como vem sendo feito. Temos que estar unidos. Eu preciso do protagonismo de todos vocês e neste protagonismo destaco o PT. O PT tem maturidade e hoje, depois de todo esse período, sabe que precisamos ter legitimidade e governabilidade”, afirmou a presidente, em seu primeiro encontro com a cúpula do partido depois da reeleição.

O discurso e principalmente a presença de Dilma na reunião do diretório nacional agradou à grande maioria do partido. Além de falar por quase uma hora no encontro, ela foi depois a uma festa oferecida pelo partido na Praia do Futuro. Bem-humorada, Dilma conversou com militantes sobre assuntos informais e chegou a pedir ostras ao deputado José Guimarães (PT-CE).

Para o presidente nacional do PT, a Operação Lava Jato - cuja última fase levou à prisão executivos das maiores empreiteiras do País - não enfraquece o governo. “Ao contrário, com a postura que o governo vem tomando diante das investigações a presidente sai fortalecida”, afirmou Rui Falcão.

‘Golpismo’. O diretório nacional do PT aprovou neste sábado um texto no qual o partido enumera as ações dos governos petistas para o combate à corrupção, como a criação da Controladoria-Geral da União e o aumento da autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Por outro lado, o partido acusa o PSDB de agir na direção contrária, barrando investigações de denúncias desde o governo Fernando Henrique Cardoso até a formação de cartel para obras do metrô nos governos tucanos de São Paulo e suspeitas de irregularidades na gestão de Aécio Neves em Minas Gerais.

“É, pois, uma afronte à inteligência e à consciência cívica dos brasileiros o PSDB se apresentar como campeão da luta contra a corrupção”, sustenta o documento. O texto, redigido por integrantes da corrente Mensagem e aprovado pelo conjunto do diretório, defende a continuidade das investigações da Operação Lava Jato e punição aos responsáveis mas “dentro dos marcos legais” e pede o afastamento dos delegados da PF que usaram redes sociais para elogiar Aécio e atacar a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o segundo turno da disputa presidencial.

Para Rui Falcão, porém, não há um golpe em andamento. “O que existe é uma intolerância muito grande em relação à nossa vitória.”

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