Para PT, relatório da PF sobre dossiê é ´inconsistente´

Em nota assinada por seu presidente interino, Marco Aurélio Garcia, o PT se disse indignado com o indiciamento, por parte da Polícia Federal, do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e de seu primeiro suplente, José Baccarin, no inquérito que investiga a compra de um dossiê com acusações contra candidatos tucanos nas eleições de outubro.Para o PT, o relatório policial está todo errado. "É inconsistente e especulativo e tenta atribuir ao senador Mercadante e ao companheiro Baccarin o ônus de provar suas inocências, sem acusações consistentes". Baccarin foi o tesoureiro da campanha de Mercadante ao governo do Estado de São Paulo.Na nota, o PT admite que integrantes do partido efetivamente se envolveram com o dossiê. A operação de compra foi abortada pela Polícia Federal, que apreendeu com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha R$ 1,75 milhão destinado ao pagamento do dossiê. Mas, para o PT, tanto o partido quanto Mercadante condenaram o envolvimento de petistas no negócio."A direção nacional e o senador Mercadante condenaram a iniciativa de alguns militantes do partido envolvidos na compra de supostos documentos, alheia a nossas práticas e que trouxeram enorme prejuízo a nossas candidaturas no âmbito federal e nos Estados, particularmente em São Paulo".Ainda conforme a nota do PT, o indiciamento de Mercadante e Baccarin será derrubado na Justiça. Por fim, na nota, o PT afirmou que os dois têm toda a solidariedade do partido.Em 22 de dezembro, a Polícia Federal de Mato Grosso indiciou apenas cinco acusados de participar da tentativa de compra do dossiê contra políticos tucanos. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o então tesoureiro da campanha petista ao governo de São Paulo, José Giácomo Baccarin, foram indiciados por crime eleitoral. Os petistas Gedimar Passos (advogado), Valdebran Padilha (empreiteiro) e Hamilton Lacerda (ex-assessor de Mercadante) foram indiciados por lavagem de dinheiro. Entenda o caso dossiêEm 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu em Cuiabá um dos donos da Planam, Luiz Antonio Vedoin, e seu tio Paulo Roberto Trevisan, que estavam negociando a venda de informações contra os candidatos tucanos José Serra (ao governo de São Paulo) e Geraldo Alckmin (à Presidência da República). Depois da prisão de Vedoin e Trevisan, a PF de Mato Grosso avisou a de São Paulo, que horas depois prendeu na capital outros dois integrantes do esquema, os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Eles estavam com parte dos R$ 1,75 milhão que seriam usados na compra do material pelo PT. Gedimar disse à Polícia que o mandante da operação era Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência. Mas, relatório parcial da PF aponta Jorge Lorenzetti, ex-coordenador do setor de inteligência da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, como mentor da ´negociação´. Durante as investigações, outras figuras próximas ao presidente aparecem no caso: Ricardo Berzoini, ex-coordenador de campanha de Lula e ex-presidente nacional do PT; Hamilton Lacerda, ex-assessor de Aloizio Mercadante; Expedito Veloso, do Banco do Brasil; Oswaldo Bargas, ex-Ministério do Trabalho. O chamado dossiê Vedoin continha um CD, fotos e alguns documentos envolvendo os dois tucanos na máfia das ambulâncias - esquema liderado pela Planam, que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras de todo o Brasil. As irregularidades deste caso foram descobertas meses antes pela PF e chegaram a movimentar R$ 110 milhões.

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