Mauro Pimentel/AFP
Mauro Pimentel/AFP

Para PT, juíza que condenou Lula representa 'mesmo projeto político' de Moro e Bolsonaro

Correligionários do ex-presidente falam em 'ação orquestrada' e condenação antecipada; internamente, avaliação é pessimista

Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 20h46

O PT classificou a nova condenação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como perseguição política e acusou a juíza substituta Gabriela Hardt,  autora da sentença, de ter os mesmos “interesses políticos” do ministro e ex-juiz Sérgio Moro. Em entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara, o líder do PT na Casa, Paulo Pimenta (RS), disse que Hardt, sucessora de Moro na Operação Lava Jato, “representa o mesmo projeto de poder Bolsonaro” e afirmou que o partido vai denunciá-la dentro e fora do País. 

Ao seu lado, a presidente do PT, Gleisi Hofmann, afirmou que sentença saiu agora porque, segundo ela, “há grande possibilidade” de Lula ser indicado ao Prêmio Nobel. “Há uma ação orquestrada do Judiciário”, disse Gleisi. 

Preso em Curitiba, Lula foi condenado nesta quarta-feira (6) a 12 anos e 11 meses por corrupção e lavagem de dinheiro no processo da Lava Jato que apura se ele recebeu propina por meio da reforma de um sítio em Atibaia (SP). Essa é a segunda sentença que condena o ex-presidente na Lava Jato no Paraná. Cabe recurso. 

Os petistas seguiram a mesma linha de defesa nas redes sociais. O ex-senador Lindbergh Farias disse essa é uma “justiça partidarizada”. “Lula já estava condenado antecipadamente. Alguém tinha alguma dúvida que o desfecho era esse? Querem q (sic) o Lula morra na cadeia”, escreveu. 

Embora o discurso oficial seja de que a nova condenação é "mais do mesmo", petistas que acompanham de perto os processos de Lula avaliam que a sentença complica ainda mais a situação jurídica do ex-presidente. 

Segundo eles, a decisão deve ter impacto nas tentativas de tirar Lula da cadeia por meio de habeas corpus e da pressão pelo fim da prisão em segunda instância, além de favorecer os setores que pressionam pela transferência do ex-presidente da carceragem da Polícia Federal em Curitiba para o presídio de Pinhais, onde o petista seria submetido ao regime prisional comum. 

Do ponto de vista jurídico, a segunda condenação pode prejudicar a estratégia da defesa de alegar presunção de inocência. Petistas avaliam que o Ministério Público Federal pode alegar que condenado duas vezes Lula não pode ser inocente. 

Processualmente, a segunda condenação pode atrapalhar tanto na argumentação quanto do ponto de vista prático os pedidos de soltura a favor do ex-presidente. Segundo petistas, a situação tende a se repetir conforme forem julgados os demais processos contra Lula.

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