Para PT, horário eleitoral vai minimizar estrago

Embora considere desistência de Erundina como um balde de água fria, partido acredita que é possível reverter crise com programa eleitoral e novo vice

Fernando Gallo e Julia Duailibi,

19 de junho de 2012 | 22h30

SÃO PAULO - Depois de surpreendido pela desistência da deputada Luiza Erundina (PSB-SP) como vice na chapa de Fernando Haddad, o PT avalia que a exposição do candidato na televisão, com o tempo adicional trazido pelas alianças fechadas nos últimos dias, e uma rápida escolha do novo vice vão abrandar a crise na campanha eleitoral.

Embora lamentassem a desistência de Erundina, que entenderam como um balde de água fria nas boas notícias colhidas nos últimos dias, como a adesão de PSB e PP à chapa - que juntos, além de retirarem o ex-ministro do isolamento, trouxeram 3min54s para Haddad - e o resultado da pesquisa Datafolha, que mostrou crescimento de Haddad para 8% nas intenções de voto, dirigentes petistas avaliam que o quadro pode ser revertido. "Mas precisamos escolher o vice rapidamente para que a imprensa não diga que estamos com dificuldades", disse um integrante da campanha.

"O importante é que a campanha do Haddad está indo bem. A saída da Erundina não anula os fatos positivos recentes", afirmou o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

O coordenador da campanha de Haddad, Antonio Donato, rebateu Erundina, que afirmou ao PSB que a forma como a aliança com o PP do deputado Paulo Maluf foi fechada - na casa de Maluf, com direito a foto - a tirou da chapa petista, e não a aliança em si. Apesar de lamentar a decisão da deputada, Donato sustentou que o fato não mudará os rumos da campanha.

"Quem quer mudar o Brasil se preocupa com o conteúdo e não com a forma", afirmou. "Se ela mudou de ideia, a gente vai continuar na nossa toada."

Maluf. Ontem, petistas passaram o dia tentando justificar a aliança com o PP. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que o PT não estava cometendo nenhuma "heresia política" e que nenhuma concessão programática estava sendo feita.

Nos bastidores, no entanto, integrantes do partido fustigavam a decisão de fechar o acordo na casa de Maluf e posar para a foto ao lado do deputado. "Podia ter recebido o apoio, mas em outro lugar. A casa do Maluf é muito simbólica", disse um petista.

 

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