Para PT baiano, ACM Neto agora é 'Golpinho'

Prefeito de Salvador diz que ataque mostra ‘nível de desespero’ dos petistas, que, neste ano, vão apoiar Alice Portugal (PCdoB)

Luiz Maklouf Carvalho, O Estado de S. Paulo

14 Agosto 2016 | 05h00

Apartamento novo, noiva nova, desafio novo. Vai feliz o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), de 37 anos, recentemente apelidado de “Golpinho” por seus adversários do PT baiano. O desafio, formalizado no dia 5 deste mês, é a candidatura à reeleição neste ano. A noiva é a publicitária e ex-funcionária do Senado Tayane Lacerda Canhedo, ou Tatá. O apartamento, no 26.º andar de um edifício no chiquérrimo bairro Corredor da Vitória, é uma joia de R$ 5 milhões, com quatro suítes, vista cinematográfica para a Baía de Todos os Santos, acesso ao mar por teleférico e, cereja do bolo, uma reluzente mesa oficial de sinuca, laqueada de preto, em uma das salas de estar. 

O tom da disputa da campanha eleitoral que virá foi dado pelo governador Rui Costa (PT) na convenção que escolheu as candidatas Alice Portugal (PCdoB) e Maria Del Carmen (PT), no fim do mês passado. “É filhinho de papai, não gosta nem que falem do cabelo dele, quanto mais de ouvir críticas”, disse o governador.

Golpinho – referência jocosa a seu apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff – veio, na mesma convenção, pela língua afiada de Alice. Já tinham vindo, antes, “Menino perfumado” e “Menino brilhantina”, pelo ex-governador e ex-ministro dilmista Jaques Wagner, outro feliz morador do Corredor da Vitória, a dois prédios de Neto. “Grampinho”, “Riquinho”, “Mauricinho” – o neto do poderoso Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), ou Toninho Malvadeza, 50 anos de poder, já está cansado de ouvir.

“Golpinho foi o último que eles arrumaram”, comentou, bem-humorado, na mesa redonda com tampo de vidro em uma outra sala do apartamentão. “Só mostra o nível de desespero deles”, disse. “Se tivessem argumentos fortes para me enfrentar não recorreriam a adjetivos de baixíssima elegância.”

O sufixo “inho”, para a maioria das alcunhas, deve-se ao entendimento (e ao preconceito) quase generalizado de que o ex-deputado federal de dois mandatos e meio é baixinho. Visto de perto, parece mesmo que é. Mas ele diz, altaneiro, que mede 1,68. “A última pessoa que esteve aqui e que me chamou de baixinho foi Dilma, na campanha de 2012. Uma semana depois eu ganhei a eleição”, lembrou o noivo de Tatá Canhedo – de avô também conhecido, o polêmico empresário Wagner Canhedo.

Casamento. Tatá já teve seus 15 minutos de fama – quando a imprensa informou, em 2011, que ela fora contratada como motorista para o gabinete do senador Edson Lobão Filho (PMDB-MA). Fora um equívoco administrativo, explicou, então. Ficou como auxiliar parlamentar, desde outubro de 2011, primeiro ano do Lobão Filho e mais recentemente do Lobão pai, igualmente senador. 

Cinco anos depois, em 3 de junho passado, a pedido do futuro marido, foi exonerada do cargo. “Ela já se mudou para Salvador”,disse ACM Neto. Compartilham o apartamento, também frequentado pelas duas filhas do primeiro casamento de Neto, Marcela e Lívia.

Rico de nascença, o prefeito tem patrimônio para comprar imóveis caros e carros idem – como um utilitário na faixa de R$ 250 mil. Sua última declaração de bens, que veio a público na campanha de 2012, registra valores nominais de R$ 13 milhões – 800% a mais do registrado em 2008, R$ 1,6 milhão. 

“O responsável por isso está aí do seu lado”, disse ACM Neto, referindo-se ao pai, o empresário Antônio Carlos Magalhães Junior, de 63 anos, que casualmente assistiu ao final da entrevista. É que o pai lhe transferiu cotas da Rede Bahia – grupo de comunicações que retransmite a TV Globo no Estado –, no valor de R$ 9,3 milhões. /L.M.C.

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