Para PT, investida é uma tentativa de inviabilizar a legenda

Petistas falam em 'conspiração das elites' e 'judicialização da política' e já ensaiam uma defesa prévia

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2015 | 08h00

O PT foi pego de surpresa pela notícia de que a força-tarefa da Lava Jato vai acionar o partido para reaver valores desviados da Petrobrás. Em conversas reservadas, dirigentes da legenda avaliaram a decisão como uma tentativa de inviabilizar a sigla pela via financeira e, assim, eliminar o PT do cenário político brasileiro de uma vez por todas.

Petistas falam em “conspiração das elites” e “judicialização da política” e, embora não esperassem para agora uma ação do Ministério Público Federal, já ensaiam uma defesa prévia.

Segundo dirigentes petistas, o partido pode argumentar que o recebimento de valores desviados da Petrobrás não foi submetido a nenhuma das instâncias partidárias e, portanto, caso se confirmem as denúncias, qualquer desvio seria uma ação isolada.

O roteiro segue o que foi adotado no processo do mensalão, quando o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares foram condenados mas o partido foi poupado.

A estratégia, no entanto, esbarra na atuação do ex-tesoureiro João Vaccari Neto, preso e condenado em primeira instância. Petistas veem em Vaccari uma diferença crucial em relação a Delúbio. Ao contrário do antecessor, que privilegiava o grupo majoritário, ao qual pertencia, Vaccari irrigava campanhas de candidatos de diversas correntes internas.

Na sexta-feira a alta cúpula do PT participou de um aniversário simbólico de Vaccari, em São Paulo. O evento foi fechado à imprensa. Apesar da solidariedade ao companheiro preso, petistas estão apreensivos.

O motivo é um texto publicado dez dias atrás por uma filha do ex-tesoureiro no qual ela diz que o pai, em hipótese alguma, faria uma delação premiada. O texto foi interpretado por parte da direção petista como um recado ao partido.

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