Para PSTU, greve é melhor forma de pressionar contra reforma

O presidente do PSTU, José Maria de Almeida, disse hoje que a greve dos servidores públicos federais, marcada para o dia 8 de julho, é o instrumento mais eficaz de pressionar o governo contra a reforma da Previdência. "A paralisação é necessária para pressionar o governo e evitar a aprovação a toque de caixa, como quer a União", afirmou, ao comentar a convocação da greve por tempo indeterminado, aprovada no último sábado em Brasília pela Plenária Nacional dos Servidores Públicos Federais. O sindicalista reiterou que desde o início do ano a categoria tentou dialogar várias vezes com o governo. "Não houve debate. A sociedade não conseguiu expor suas opiniões a respeito da reforma", comentou. José Maria disse que os servidores públicos esperam a adesão e apoio de outros setores da sociedade, para fortalecer o movimento anti-reforma. "A realização dessa reforma representará um retrocesso histórico não apenas para os servidores públicos, mas para todos os trabalhadores do País", declarou. Para José Maria, a reforma que o governo Lula pretende realizar só irá favorecer os banqueiros e administradores de fundos de pensão. "Querem privatizar a Previdência e essa reforma só retira os direitos dos trabalhadores. Se é para reformar, que seja para melhorar as condições de todos os trabalhadores, sejam do setor público ou da iniciativa privada." José Maria garantiu que a base da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da qual já foi 1º tesoureiro e membro da Executiva, vai apoiar a greve dos servidores públicos, independentemente das declarações do presidente da central sindical, Luiz Marinho. No último dia 11, Marinho afirmou, em Brasília, durante ato contra a reforma previdenciária, que a organização não apoiaria uma possível greve por considerar "precipitada" tal manifestação. "Não acredito em racha da CUT, mas é óbvio que todos da base vão aderir ao movimento e discordam da posição do presidente da entidade, que foi colocado lá pelo presidente Lula." Marinho foi recentemente eleito presidente da CUT em substituição ao professor João Felício. Ele teve sua candidatura lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes, Marinho comandava o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. AdesãoOs servidores esperam a adesão de diferentes setores da sociedade na paralisação. "Não é uma greve pura e simples. Queremos mostrar para a sociedade o que de fato vai representar uma reforma da Previdência nos moldes da que o governo quer fazer", afirmou Dirceu Travesso, o Didi, integrante do Movimento por uma Tendência Socialista (MTS), uma das correntes da Central Única dos Trabalhadores (CUT).Para ele, a marcha anti-reforma realizada em Brasília no último dia 11 foi além de uma simples manifestação. "Ela deu a dimensão do descontentamento em relação à reforma", comentou ele.O sindicalista garantiu que a base da CUT está engajada na greve do próximo mês, apesar das declarações de Luiz Marinho. "O Marinho fez essa declaração para tentar esvaziar a possibilidade de greve. Mas não é esse o papel dele. Ele tem de ser chamado à conversa", declarou Didi.O sindicalista disse considerar improvável a criação de uma CUT do Servidor Público, como noticiou a imprensa nos últimos dias. "Não acredito nisso. Uma central sindical representa mais do que uma categoria. E uma única classe, como é o caso do servidor público, já é bem representada por meio de bons sindicatos existentes", afirmou. José Maria, do PSTU, tem a mesma opinião.

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