Dida Sampaio | ESTADAO CONTEUDO
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Para professor, criação de legenda é um tipo de ‘business no Brasil’

Pesquisador diz que interesse de grupos é por tempo de TV e verba de Fundo Partidário, o que gera efeito ‘pernicioso’

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 17h51

Para o coordenador do Centro de Política e Economia do Setor Público da FGV-SP, George Avelino Filho, a profusão de legendas partidárias não colabora em nada com a democracia. “Ao contrário, é pernicioso. Esses partidos não encontram representação na sociedade, não agregam interesses e, de um certo modo, inviabilizam a própria governabilidade”, diz.

Segundo ele, o número excessivo de partidos inviabiliza até decisões concretas, como a diminuição do número de ministérios. “Se você tem que acomodar uma quantidade de aliados e partidos, você não consegue fazer reforma nenhuma.”

Avelino afirma que criar partido político “virou uma espécie de business no Brasil”, que muitos se envolvem com essas legendas pensando no Fundo Partidário (que anualmente rende algo em torno de R$ 1 milhão para os partidos menores) e os segundos de exposição na televisão. “Dos 35 partidos existentes, 27 têm representação no Congresso. Desses 27, 13 são realmente atuantes. Trata-se de um número muito acima do aceitável, acima de qualquer democracia representativa parecida com a nossa.”

Para o professor, o problema não é o surgimento de novos partidos. “A sociedade é dinâmica, bem como os interesses que nascem dela. Então, eu não sou contra novos partidos – desde que esses partidos realmente representem algum grupo. Infelizmente, não é o que ocorre atualmente. Um dia, o País vai precisar rever essa questão”, afirma Avelino. / G.A.

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