Para procuradora, nova operação da PF mostra 'padrão de corrupção' no País

Vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko comentou sobre a operação Plateias, deflagrada nesta quinta-feira e que desarticulou organização criminosa formada por lobistas e agentes públicos em RO

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2014 | 15h58

Brasília - Os atos investigados pela Operação Plateias, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 20, pela Polícia Federal, são um "padrão de corrupção" que "está acontecendo no Brasil", avaliou nesta tarde a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko. Essa operação desarticulou organização criminosa formada por lobistas e agentes públicos responsáveis por desvio de verbas públicas e direcionamento de licitações em Rondônia. O prejuízo aos cofres do Estado é estimado em R$ 57 milhões.

Ela afirmou que o objetivo, agora, é "fechar provas" e oferecer denúncia à Justiça. O governador do Estado, Confúcio Moura (PMDB), será levado para prestar depoimento na Superintendência da PF no Estado.

"A investigação existe há mais de um ano. Essa investigação (fase atual) é para fechar evidências e provas que já tínhamos obtido. O objetivo agora é avaliar e oferecer a denúncia", explicou a vice-procuradora. Ao chegar para a sessão do Supremo Tribunal Federal nesta tarde, Ela Wiecko apontou que a forma de atuação do esquema investigado é "aquele padrão que está acontecendo no Brasil, que é o ajuste para uma campanha eleitoral de políticos com empresários", disse.

"O empresário dá dinheiro para o caixa eleitoral, com a promessa de que terá uma vantagem e essa vantagem é através de dispensa de licitação, superfaturamento. O dinheiro que ele adiantou, volta. Só que além disso os próprios agentes públicos também acabam ficando com uma porcentagem", explicou Ela sobre a forma de atuação de empresas e políticos observada em investigações no País.

Ela afirmou nesta tarde que são investigadas no esquema empresas de áreas que "cobrem toda a atuação governamental", como saúde, educação e segurança. "É realmente muito amplo e segue", disse a vice-procuradora, mencionando que apesar de operações anteriores terem sido desbaratadas, "o padrão de corrupção" continuou em Rondônia.

A investigação teve início no Estado de Rondônia, mas foi remetido ao Superior Tribunal de Justiça em razão dos indícios de participação do governador de Rondônia. Os fatos investigados se referem à campanha eleitoral de 2010.

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