Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para pressionar governo a agir contra rivais, Renan retira indicações da CMO

Senador se une ao PSDB na tentativa de evitar que adversário político seja relator da Comissão Mista do Orçamento com outro nome mais confiável que o de Rose de Freitas

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2017 | 18h10

BRASÍLIA - Contrariado com a possibilidade de o relator do projeto de Orçamento da União de 2017 ser do antigo Centrão da Câmara, ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), decidiu retirar nesta quinta-feira, 6, as indicações do partido para a Comissão Mista do Orçamento (CMO). O alagoano chegou a indicar a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) para presidir o colegiado.

Por ser uma comissão mista, que conta com a participação de senadores e deputados, a CMO deverá ter como presidente um indicado do PMDB do Senado e, para a relatoria, um da maior bancada da Câmara.

Atualmente, o grupo que conta com o maior número de deputados é a bancada integrada por PP, PTN, PHS, PTdoB. Em razão disso, a indicação para a relatoria deveria ficar com o líder da bancada Arthur Lira (PP-AL), que integrou o grupo de Cunha, antes de o peemedebista ser preso na Operação Lava Jato. Além da relação com Cunha, Arthur é filho do senador Benedito de Lira (PP-AL), arquirrival de Renan no Estado de Alagoas. 

Nos últimos dias, Renan junto com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), têm articulado nos bastidores para emplacar um tucano para assumir a relatoria da CMO. Em conversa com integrantes da bancada do PMDB na noite de quarta-feira, 5, Renan teria dito que o PSDB tem “quadros mais “republicanos” para serem indicados para a função.

Segundo peemedebistas ouvidos pela reportagem, a iniciativa de retirar as indicações da bancada faz com que Renan e Aécio ganhem mais tempo para articular uma alternativa tucana e convoca o Palácio do Planalto a entrar na briga para se chegar a uma solução, uma vez que a paralisia na comissão não é de interesse do governo.

Além do fato de Renan ser contrário a uma indicação dos rivais alagoanos também teria pesado a posição contraditória da senadora Rose de Freitas sobre sua “parceria” com o alagoano. Segundo relatos, Renan desconfia que a senadora seja uma das que estão “plantando” a informação de que ele não tem maioria dentro da bancada.

Até o início da tarde, Rose não tinha conhecimento da decisão de Renan, em conversa com a reportagem chegou até a comentar sobre os próximos passos que daria na CMO. “Eu ainda preciso tomar pé de como estão as coisas por lá. Devo fazer isso na próxima semana”, afirmou.  

Reação. Lideranças do PP, no entanto, acusam Renan de fazer chantagens e afirmam que o partido não abrirá mão da cadeira. “Renan tem que deixar fazer chantagem. Vou para a tribuna na semana que vem para dizer o que ele está querendo”, afirmou ao Estado Arthur Lira.

Segundo ele, caso Renan não voltar atrás na decisão irá trabalhar para a indicação do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) para a presidência da comissão. “Se na terça-feira Renan não estiver com membros indicados, nós vamos eleger o senador Valadares”, ressaltou Lira.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), revelou que Aécio Neves procurou o partido várias vezes para tentar chegar a um acordo, em que os tucanos indicariam o relator agora e o PP no próximo ano.

“Aécio fez alguns apelos para o PP desistir, mas o líder não vai aceitar já que o PP tem o direito”, afirmou Nogueira. “A relatoria da CMO vai ser uma queda de braço. Me parece que é uma disputa regional entre o Renan e o Artur Lira”, emendou.

Questionado sobre a possibilidade de se chegar a um acordo com Aécio, Lira afirmou que nunca foi procurado pelo tucano. “Ele nunca me deu nem oi. Não sei qual é essa vaidade do senador Aécio em querer passar por cima do regimento. Sempre achei que ele fosse um homem regimentalista. Se ele tem um acordo com Renan tem que se resolver na presidência da CMO”, disparou o deputado.

 

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