ANDRE DUSEK/Estadão
ANDRE DUSEK/Estadão

Para presidente, Petrobrás 'está acima' de escândalos

Declaração foi feita após Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal,decidir negociardelação premiada

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2014 | 02h01

Após o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa decidir fazer delação premiada, a candidata à reeleição Dilma Rousseff disse ontem que 'não se pode confundir as pessoas com as instituições" e que a estatal está acima de eventuais desvios de conduta cometidos por seus integrantes.

"A Petrobrás é muito maior que qualquer agente dela, seja diretor ou não, que cometa equívocos, crimes - ou, se for julgado, que se mostre que foi condenado. Isso não significa uma condenação da empresa. Não se pode confundir as pessoas com as instituições", disse Dilma ontemno Palácio da Alvorada.

"O Brasil e nós todos temos de aprender que se pessoas cometeram erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção, isso não significa que as instituições tenham feito isso. Inclusive, nas instituições, qualquer uma, e nas empresas, inclusive nas que vocês trabalham, pode ocorrer isso", prosseguiu a petista, dirigindo-se aos repórteres.

A Polícia Federal deflagrou na semana passada a quinta fase da Operação Lava Jato, vasculhando endereços de 13 empresas de consultoria, gestão e assessoria, ligadas a uma filha, a um genro e a um amigo do ex-diretor da Petrobrás. A Procuradoria da República apontou "vertiginoso acréscimo patrimonial" dessas empresas na época em que Costa foi diretor da Petrobrás.

A Lava Jato investiga suspeitas de existência de um suposto esquema de lavagem de bilhões de reais. "Não existe nenhuma instituição acima de qualquer suspeita quando se trata dos seus integrantes. Porque os homens e as mulheres é que falham, não são as instituições necessariamente", comentou Dilma. "A Petrobrás está acima disso. Eu não tenho o que comentar sobre a decisão de uma pessoa presa fazer ou não delaçãopremiada, isso não é objeto do interesse da Presidência da Republica."

Getúlio. Ontem, dia que marcou os 60 anos da morte de Getúlio Vargas (1882-1954), a presidente almoçou no Palácio da Alvorada com o escritor e jornalista Lira Neto, autor de uma série biográfica sobre o ex-presidente. A única atividade de campanha foi a coletiva de imprensa.

"Estou no fim do terceiro livro sobre o Getúlio e considero essa trilogia magistral, porque é extremamente bem escrita, mas também pela pesquisa que realizou, pesquisa que a gente vê detalhada, foi nos anais do Congresso, levantamento de fontes primárias", disse Dilma, destacando que um país é feito da sua "história, memórias e suas lideranças políticas".

"Acredito que se nós não entendermos a história do nosso país não entenderemos a construção da Nação brasileira", comentou. / R.M. e T.M.

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