Para presidente, não há solução sem Estado forte

No encontro de Viña del Mar, o presidente Lula defendeu ontem a presença de um "Estado forte" para enfrentar o impacto social e os desafios da crise internacional. Declarou, ainda, que está interessado na criação de um "Fundo de Petróleo" similar ao existente na Noruega, que protege o país de eventuais déficits orçamentários."Desemprego, pobreza, migração desequilíbrios demográficos e ambientais: são problemas que requerem respostas economicamente coerentes, mas sobretudo responsáveis", discursou Lula. "Isto não é possível sem Estado forte."Ele fez uma sugestão ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown: "Coloque em sua agenda um recado para o G-20: não podemos deixar de discutir uma solução para os mercados futuros. Senão, vamos voltar à crise do petróleo e das commodities agrícolas nas bolsas."Lula fez uma enfática defesa dos governos de esquerda na América Latina. "Nossa região oferece uma perspectiva renovadora. A América do Sul vive uma vigorosa onda de democracia popular, encabeçada por segmentos historicamente deserdados e marginalizados que encontram lugar em uma sociedade mais solidária."Além da presidente chilena, Michelle Bachelet, anfitriã do evento, estavam presentes oito chefes de governo, incluindo Lula, Brown, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero, entre outros. ?AJUDAR NOSSA GENTE?Antes de discursar, o presidente brasileiro se reuniu com o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, e anunciou interesse em um novo fundo, similar ao daquele país. "Agora que encontramos muito petróleo no Brasil, estamos interessados em conhecer o Fundo de Petróleo que existe na Noruega, para que a gente possa criar algo que tenha similaridade.""Esse fundo é importante para que utilizemos as riquezas do petróleo para ajudar nossa gente", justificou.O modelo foi criado em 1990 para proteger a Noruega de eventuais déficits orçamentários. É um fundo estatal, investido no exterior, proveniente dos lucros da empresa Statoil, que em 2000 foi parcialmente privatizada pelo governo.

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