Para presidente do PT, movimento 'Cansei' é provocação

Movimento, liderado por diversas entidades, como a OAB-SP, protesta contra a impunidade e corrupção

Anne Warth, da AE,

30 de julho de 2007 | 13h58

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), disse neste segunda-feira, 30,  que a legenda não é obrigada a dar uma reposta ao movimento "Cansei", liderado por diversas entidades, entre elas a OAB-SP e o Grupo de Líderes Empresariais (Lide), entidades presididas por Luiz Flavio Borges D'Urso e João Dória Jr., respectivamente.  Veja Também: PT mineiro reafirma oposição a Aécio   Ele sugeriu que os organizadores teriam ligações e interesses político-partidários que não são assumidos publicamente. "Temos que ter tranqüilidade para não aceitar esse tipo de provocação e nem alavancar esse tipo de movimento cujo patrono deve ser ou Haddock Lobo ou Oscar Freire", ironizou Berzoini.  "Sabemos que a sociedade tem outras opiniões e não aceita esse tipo de movimento que é dissimulado e não assume sua característica partidária", acrescentou, após participar da abertura do 1.º Colóquio "PT e os Movimentos Sociais", organizado pela Secretaria Nacional de Movimentos Populares do partido e pela Fundação Perseu Abramo, na sede do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, na capital paulista. Na avaliação dele, o objetivo do movimento é ligar o acidente aéreo do Airbus da TAM à crise aérea. "Além disso, tentam focar na figura do presidente Lula", declarou, citando como organizadores do movimento "setores da sociedade e da imprensa". O deputado disse que as causas do acidente serão conhecidas somente após a conclusão das investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) a partir da análise das informações das caixas-pretas do avião. Já a crise aérea, disse ele, tem outras razões e origens. Embora tenha menosprezado o movimento e considere que o "Cansei" não deve figurar nas preocupações do partido, Berzoini admitiu que ele poderá ser tema das discussões da Executiva Nacional do PT, que se reunirá amanhã, na sede nacional da legenda, na capital paulista. Além do movimento, o PT deve discutir temas da conjuntura nacional. "Eu pessoalmente acho que nós deveríamos trabalhar dando a tranqüilidade que outros não querem dar ao País", afirmou. "O PT avalia a conjuntura nas suas mais amplas dimensões e não vamos tratar de um movimento específico. Eu acredito que pela natureza desse movimento, fica claro que é um movimento daqueles que foram derrotados na eleição passada e que querem talvez retomar a esperança de manter o País em clima de eleição." Vaias Questionado sobre se o partido deve articular os movimentos sociais para reagir ao movimento e às vaias que o presidente Lula ouviu na abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, Berzoini assegurou que os movimentos sociais são autônomos "para aplaudir, vaiar ou não fazer nenhuma das manifestações ao presidente".  "O PT sabe que em certos momentos vaias ocorrem espontaneamente ou organizadamente. Nos dois casos há legitimidade e não há qualquer preocupação em evitar essa situação", respondeu. Ele disse ainda que as pesquisas mostram que a maioria da população apóia o governo Lula e tem apreço pela figura do presidente. "Portanto, se impressionar com uma ou outra manifestação seria não estar preparado para conviver com a democracia", concluiu. Sobre a manifestação realizada no último domingo pelos familiares das vítimas do acidente aéreo com o Airbus da TAM, que entoou gritos de "Fora Lula", Berzoini disse que a democracia permite aos familiares responsabilizar o presidente, embora considere a avaliação injusta. "É direito das pessoas politicamente assumir opiniões. Eu acho as opiniões injustas, mas só a investigação profunda do acidente vai mostrar de fato o que aconteceu", finalizou.

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