Para presidente do PMDB do Rio, partido deve chegar ao Planalto 'pelo voto'

Pai do líder do partido na Câmara, Jorge Picciani diz que Temer 'não atua, mas tem permitido movimento' para vice assumir lugar de Dilma

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2015 | 09h21

RIO - Adversário da presidente Dilma Rousseff na campanha pela reeleição em 2014, o presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, está agora no comando do grupo contrário ao impeachment e afirma que oito dos nove deputados eleitos pelo partido no Estado votarão a favor do governo quando a decisão chegar ao plenário da Câmara. A exceção é o presidente da Casa, Eduardo Cunha, isolado no PMDB do Rio desde que anunciou o rompimento com o governo, em julho. Picciani atua ao lado do governador Luiz Fernando Pezão e do prefeito Eduardo Paes, aliados de longa data de Dilma, mas é ele quem tem influência sobre a maior parte dos parlamentares.

Na disputa interna do PMDB, Picciani age em oposição ao vice-presidente Michel Temer e ao grupo pró-impeachment. “Quero que o PMDB chegue à Presidência da República, mas pelo voto e não tirando a presidente do cargo. Sou de uma escola em que, depois que o povo se pronuncia, a gente respeita o resultado”, disse Picciani na segunda-feira, antes de vir a público carta de Temer em que o vice diz ter sido "menosprezado" por Dilma. “Nitidamente há articulação dentro e fora do PMDB para fazer de Temer presidente da República. Ele (Temer) não atua, mas tem permitido esse movimento. Eu estou no lado que defende o mandato da presidente e a democracia.”

Um dos principais esteios de Dilma, o PMDB-RJ aposta na derrubada do impeachment para ganhar espaço no comando nacional do partido. O Rio tem o maior número de deputados da legenda (9), seguido de Minas Gerais (7) e Santa Catarina (6). Os peemedebistas do Rio querem fazer de Paes o candidato do partido à Presidência da República.

Além de Jorge Picciani, o ex-governador Sérgio Cabral - que atua nos bastidores desde que deixou o Palácio Guanabara, em abril do ano passado, com baixíssimos índices de popularidade - tem forte influência nos deputados do PMDB fluminense. Embora tenha estimulado o movimento Aezão, liderado por Picciani, que pregou o voto no tucano Aécio Neves para presidente e na reeleição de Pezão, Cabral integra o grupo contrário ao impeachment.

Pai do líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani, o presidente do PMDB-RJ disse acreditar que “100% dos deputados do PMDB na comissão especial que analisará o impeachment serão contra a saída da presidente Dilma”. O grupo de dissidentes do PMDB que defendem a saída de Dilma reivindica espaço no colegiado. Picciani disse que o filho não teme a rebelião de deputados favoráveis ao impeachment, que passaram a defender a destituição de Leonardo da liderança do partido. “O líder é a expressão da maioria”, diz Picciani pai. Na votação do plenário, Picciani também afirma que “os votos do PMDB do Rio serão em defesa da presidente.

Um dos mais próximos aliados de Dilma, Pezão participa hoje de duas reuniões com a presidente em Brasília: uma com todos os governadores, para discutir a epidemia de zika vírus, e outra política, sobre o processo de impeachment. Articulador de reuniões anteriores em defesa da presidente, o governador do Rio desta vez não está à frente da articulação pró-Dilma, embora continue a se manifestar com veemência contra o impeachment. Pezão enfrenta grave crise econômica no Estado e passou o dia de ontem em reuniões para tentar viabilizar o pagamento da segunda parcela dos salários dos servidores estaduais e do 13º salário, programado para 17 de dezembro.

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