Para presidente do Incra, pressão ajuda

?O MST faz a sua parte, a Fiesp faz a dela e a roda gira?, diz Hackbart

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente do Incra, Rolf Hackbart, reconhece que há problemas em assentamentos feitos ao longo dos 25 anos de existência do MST, e chega a sugerir que alguns sejam extintos, por inviáveis, principalmente na Amazônia. Mas afirma que o MST acabou por se tornar importante instrumento para os governos, visto que pressiona a política pública em favor da reforma agrária."Quanto mais movimento social pressionando governos, melhor. É assim que tudo funciona. O MST faz a sua parte, a Fiesp faz a dela e a roda gira", diz. Para ele, a pressão é fundamental até para diminuir os conflitos, fazer a reforma agrária avançar e resolver problemas que, às vezes, nem chegam ao conhecimento dos governos. "Tanto é que, nesses 25 anos de existência do MST, o Estado brasileiro sempre foi parceiro dos movimentos sociais, independentemente de quem estava ou está no poder. Todo governo sabe o quanto os movimentos sociais são importantes para a administração."Por pressão ou não do MST, o fato é que, nos 25 anos de existência dele, o Incra fez 7 mil assentamentos, nos quais vivem 1 milhão de famílias, distribuídas em 70 milhões de hectares. E as mortes por conflitos gerados exclusivamente pela questão agrária têm caído. De acordo com dados da Ouvidoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 2003 ocorreram 42 mortes no campo por disputas agrárias; em 2008, apenas 2.Hackbart reconhece problemas nos assentamentos da Amazônia. E até põe culpa no MST por isso. "Há muitos que, por causa da pressa, pela falta de critério, pela pressão do próprio MST, foram feitos em locais sem a mínima condição. Sou a favor de que sejam extintos." Para ele, está provado que na Amazônia assentamentos só dão certo se ficarem perto de estradas e de bancos e se forem tocados por cooperativas. "Aí, eles se mexem."

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