Para prefeitos do PSDB, importante é a vitória

Objetivo de grupo é tornar as prévias dispensáveis

, O Estadao de S.Paulo

19 de abril de 2009 | 00h00

Quando a cúpula do PSDB decidiu dispensar a presença dos dois presidenciáveis do partido - os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) - no seminário de prefeitos tucanos realizado na quarta-feira, em Brasília, um outro encontro já havia acontecido dois dias antes em São Paulo.A pretexto de prestigiar a posse do novo secretário estadual de Educação, Paulo Renato de Souza, quatro prefeitos tucanos de capitais e outras grandes cidades fora de São Paulo foram a Serra, entoando o discurso da unidade do partido em torno de um só candidato.A solenidade de posse de Paulo Renato transcorreu em clima de ato pró-Serra, mas a conversa dos prefeitos com o governador foi restrita e pragmática, no melhor do atual estilo do Palácio dos Bandeirantes. Com bom trânsito no tucanato desde os tempos em que presidiu o Instituto Teotônio Vilela, entidade de estudos e pesquisas do PSDB, o prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, deixou claro que os tucanos não querem tratar a fartura de candidatos como questão de preferência pessoal. "Nossa preferência não é por Serra ou Aécio, é pela vitória. O que todos queremos é entrar nesta eleição para ganhar."A iniciativa de criar um fórum de administradores tucanos de capitais para ajudar na costura da unidade interna do PSDB partiu do prefeito de Teresina (PI), Sílvio Mendes. Ele diz que o tema que tomou mais tempo do encontro, do qual também participaram os prefeitos Beto Richa, de Curitiba, e Wilson Santos, de Cuiabá, foram as dificuldades econômicas mundiais. "Fui inspirado pelo momento de crise, que demanda muita conversa, bom senso e a experiência de gestão dos tucanos que comandam cinco Estados (São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas e Roraima), além de quase 800 cidades Brasil afora'', contou. Mas quem melhor traduziu a preocupação central dos tucanos de Norte a Sul foi mesmo Sebastião Madeira.ACORDOA ideia do grupo, que também conta com o apoio do presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), é conversar com Serra, Aécio e com a direção do partido para tentar encontrar uma "confluência" que acabe tornando as prévias dispensáveis. "É mais um fórum para tentar aplainar os caminhos para a escolha do candidato a presidente do PSDB", disse Madeira, ao explicar que o grupo trabalha para que haja um convencimento de todos em torno de um candidato.A preocupação não é evitar a disputa nas prévias, e sim construir um entendimento para que o partido chegue mais forte para a largada oficial da corrida sucessória. O que dá vantagem a Serra no cenário de hoje é a avaliação geral de que o escolhido deve ser aquele que se mostrar eleitoralmente mais forte, porque não se pode subestimar uma candidatura que tenha um cabo eleitoral como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.FATOR SOCIALMadeira diz que sua experiência na eleição municipal do ano passado mostrou que o governo tem um programa social forte e milhões de militantes em todo o Brasil dizendo "em todo canto" que essa ajuda vai acabar. "Não dá para subestimar uma candidatura dessas, que se impõe pelo medo, implantando o terror nas pessoas humildes que precisam desse dinheiro", observou o prefeito.Madeira lembra que foi ele o relator do Fome Zero, projeto que reuniu todos os programas sociais em um só, mas pondera que não adianta dizer isso aos eleitores aterrorizados com a perspectiva de perder a ajuda."Não somos Serra?s boys. Estamos a serviço do PSDB", completou o prefeito, convencido de que o partido não pode se dar ao luxo de dispersar forças. "Não podemos permitir que quem não for candidato fique ressentido, guarde as armas e encerre a luta."

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