André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Para PMDB, Renan votar contra Dilma é 'simbólico'

Partido pressiona presidente do Senado por apoio definitivo ao impeachment

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 19h00

BRASÍLIA - Após conseguir uma margem de votos a favor do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, uma das preocupações da base aliada do presidente em exercício Michel Temer é conquistar um voto em especial, o do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A aliados, o peemedebista já admite que pretende votar pela saída definitiva da petista.

Para a base, o voto do peemedebista é “simbólico” e representa o apoio definitivo da liderança ao governo Temer.

“Acredito que cada vez mais senadores estão conscientes de que houve crime de responsabilidade. Não estou contando votos, mas o Renan, por exemplo, ainda não disse o voto dele”, afirmou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais articuladores do governo Temer no Congresso.

Os peemedebistas têm pressionado pelo voto do presidente do Senado. Jucá tem reafirmado que aqueles que não votam no processo de impedimento de Dilma estão com ela. Para colegas de partido, além de uma sinalização de apoio ao governo interino, o voto de Renan favorável ao impeachment também demonstraria a união e o fortalecimento do PMDB, já que o presidente do Senado e Temer têm divergências históricas.

Apesar de ajudar a encaminhar matérias de interesse do Palácio do Planalto no Congresso, Renan ainda não garantiu que vai participar da votação final, marcada para começar na quinta-feira. Questionado anteontem após se reunir com Dilma, no Palácio do Alvorada, Renan desconversou. “Eu tenho conduzido o processo com isenção, responsabilidade e equilíbrio e isso me impede de declarar o que vou fazer”, disse. No entanto, o peemedebista confidenciou a interlocutores que pretende votar contra Dilma.

Na última votação no Senado – na qual a presidente afastada se tornou ré – foram 59 votos pelo impeachment e 21 contra. Em maio, quando Dilma foi afastada temporariamente do cargo, o placar ficou em 55 a 22. 

Sessões. Por ter presidido a primeira sessão, que confirmou o afastamento temporário de Dilma em maio, Renan não precisou votar. A segunda, que confirmou o prosseguimento do processo, foi comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, e o presidente do Senado também não votou. Para a última votação, no entanto, ele não afirmou que não vai votar, como fez anteriormente.

O peemedebista tem trabalhado e atuado como porta-voz de matérias do governo no Senado. Na semana passada, Renan evitou uma derrota para a equipe econômica, ao encerrar a sessão que votaria a Desvinculação de Receitas da União (DRU). Sem quórum para aprovar a matéria, o governo acabaria derrotado em um de seus projetos prioritários. O senador também viajou com Temer para o Rio na quinta-feira e esteve em reunião do governo realizada em São Paulo no dia seguinte.

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