Para PMDB, é difícil Meirelles disputar Goiás ou assumir a vice

Pelas contas de lideranças peemedebistas, há apenas duas hipóteses fortes para o destino do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: o Senado ou permanecer à frente da autoridade monetária.

NATUZA NERY E MARIA CAROLINA MARCELLO, REUTERS

06 de fevereiro de 2010 | 13h46

Nenhum de seus correligionários ouvidos pela Reuters contempla a chance de que assuma a vaga de vice ao lado da ministra Dilma Rousseff. Para eles, esse lugar já tem dono, o deputado o deputado Michel Temer (SP).

A contabilidade do governo ainda contempla Meirelles ao posto, embora as análises internas e do próprio presidente da República vejam essa opção cada vez mais improvável.

Meirelles é "cristão-novo" no PMDB. Por erro ou maldade, elesequer foi incluído na chapa do diretório nacional da legenda que reconduzirá Michel Temer ao comando da sigla neste sábado.

Além de dar direito a voto nas decisões partidárias, uma vaga no diretório confere também peso e organicidade partidária a seus membros.

"Foi uma falha. Infelizmente, não o incluímos no diretório. Agora, não dá mais, a chapa já foi registrada", disse à Reuters o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Praticamente todos os deputados, senadores e estrelas peemedebistas têm lugar nessa estrutura. Cada integrante tem direito a um voto na próxima convenção, em junho. O encontro do meio do ano deve chancelar a política de alianças para as eleições de outubro e confirmar o nome do candidato a vice-presidente ao lado do PT.

"O Meirelles é um grande quadro. Pode ser qualquer coisa dentro do (novo) governo. Ele receberia nossa indicação para ser ministro da Fazenda sem problemas. Só que ele ainda é cristão-novo, ainda não tem articulação política no partido. Isso vai acontecer com o tempo", acrescentou Cunha, referindos-se à vice.

Henrique Meirelles compareceu à convenção neste sábado. Como chegou depois dos discursos oficiais, foi anunciado com pompa por Temer. Tirou fotos com os convencionais e não parou de sorrir um minuto sequer.

"A minha absoluta atenção no momento até o começo de abril é o Banco Central. E eu tenho compromisso como presidente", disse Meirelles a jornalistas ao deixar a convenção.

"No final de março, aí sim, eu devo pensar e tomar uma decisão. Se fico no BC ou se vou contemplar alguma via eleitoral."

O líder do partido da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), acredita na via do Senado.

"Eu acho que o candidato do governo de Goiás vai ser o Iris Rezende (atual prefeito da capital). Na minha opinião, ele vai para o Senado", disse.

Meirelles vai bater o martelo sobre seu futuro no fim de março. Lula o quer à frente do BC até o final de seu mandato.

"A delegação do Rio de Janeiro defende que esse projeto de país continue com uma aliança com a ministra Dilma Rousseff para a Presidência da República e com a indicação de um nome do PMDB (para a vice), que eu particularmente defendo sempre que seja o presidente Michel Temer", afirmou o governador do Rio, Sergio Cabral, também já cotado para a chapa nacional.

Ele, porém, optou por disputar a reeleição.

Ameaçada de suspensão por opositores internos do partido, a convenção foi garantida pela Justiça.

(Edição de Carmen Munari)

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