Divulgação/Agência Câmara
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Para PMDB, deputado de 25 anos dará 'ritmo' à CPI da Petrobrás

Com escolha de Hugo Motta para presidência da comissão, sigla quer dar 'celeridade' ao processo com um parlamentar fiel

Erich Decat e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2015 | 02h01

BRASÍLIA - O PMDB decidiu ontem que o deputado Hugo Motta (PB), de 25 anos, será o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, cuja instalação está prevista para esta quinta-feira. A estratégia do partido foi colocar alguém que ao mesmo tempo fosse fiel à sigla e independente do Palácio do Planalto para dar à comissão o ritmo que o partido pretende impor.

Egresso de uma família de políticos do interior da Paraíba, Motta é ligado ao ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho, que presidiu a última CPI da Petrobrás, deixando a herança de não ter avançado nas investigações.

"Queremos a presidência para ditar o ritmo da CPI. A Petrobrás está sangrando a cada dia", afirmou o líder da bancada, Leonardo Picciani (RJ).

Além de Motta, por parte do PMDB também deverão compor o colegiado os deputados Edio Lopes (RR), Lelo Coimbra (ES), Darcísio Perondi (RS) e Celso Pansera (RJ). Um quinto nome deve ser definido hoje.

O perfil dos indicados aponta que o partido não pretende se vincular ao governo. Darcísio Perondi, por exemplo, é um dos líderes na Casa de um movimento pela ampliação de investimentos em saúde, algo que não alcança acordo dentro do governo.

Edio Lopes foi relator na comissão especial da emenda constitucional que instituiu o Orçamento impositivo, aprovada na semana passada a contragosto do governo.

Lelo Coimbra foi cabo eleitoral do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na campanha presidencial de 2014.

O futuro presidente da CPI da estatal presidiu a Comissão de Fiscalização Financeira em 2014, por onde, em pleno ano eleitoral, passaram pedidos de convocação de ministros. Cotta também se posicionou contra a aliança entre PT e PMDB.


TRÊS PERGUNTAS PARA... Hugo Motta, deputado federal

1. O senhor acredita que esta CPI da Petrobrás será diferente da anterior que acabou sem avanços?

Essa CPI tende a ter mais instrumentos e fatos que façam com que ela tenha um desfecho diferente da outra. Falando por mim, à frente da presidência haverá um presidente que irá fazer de tudo que estiver ao alcance para que essa apuração seja feita e que os fatos sejam elucidados.

2. Como o senhor vai tratar sobre um futuro pedido de inquérito por parte do Procurador-geral da República contra deputados envolvidos em desvios na Petrobrás?Vamos esperar primeiro sair essa lista. Mas vou cumprir o regimento e aquilo que tem que ser feito. Temos que ter a maior isenção sem permitir a interferência de quem quer que seja. Até porque não pedi para ser presidente, fui chamado para ser presidente. E é nessa condição que eu vou, de ter a autonomia para decidir sobre essas situações.

3. O senhor defende que a investigação se estenda ao período do ex-presidente Fernando Henrique?

Tem que ver primeiro que a CPI tem um fato, um motivo para ela ser criada... mas entendo que se fatos levarem a necessidade de uma investigação, acho que tem que ser respeitado. Também não adianta estender para trás a investigação com intuito de que ela não ande. Isso não dá para admitir.

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