GABRIELA BILO | ESTADAO | ESTADAO CONTEUDO
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Para PMDB, poder de articulação política de Lula ainda é incógnita

Na análise de representantes do partido, ex-presidente vive momento diferente diante das investigações da Operação Lava Jato e das crises política e econômica

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2016 | 20h27

Integrantes da cúpula do PMDB ainda veem com desconfiança a capacidade de mobilização da base aliada por parte do ex-presidente Lula, alçado nesta quarta-feira para o comando da Casa Civil pela presidente Dilma Rousseff.

Na análise de representantes do partido é inquestionável o potencial de diálogo e articulação política que o petista teve quando comandou o País por duas vezes.

A avaliação corrente, no entanto, é de que Lula retorna num "momento diferente" daquele vivenciado, quando desceu a rampa do Palácio do Planalto para dar lugar à presidente Dilma. Em dezembro de 2010, final do segundo mandato, Lula atingiu recorde de aprovação com 80%, de acordo com pesquisa Ibope.

Entre os aspectos que geram dúvidas sobre o atual momento de Lula, ressaltados nos bastidores por integrantes da cúpula do PMDB, está o fato de que o ex-presidente assume a Casa Civil diante de uma forte crise política e econômica.

Além disso, Lula carrega hoje o carimbo de investigado pela Operação Lava Jato e é alvo de manifestações, como as ocorridas no último domingo.

Desrespeito. Além das dúvidas sobre Lula, nesta terça-feira, um novo ingrediente foi colocado para azedar ainda mais a relação Palácio do Planalto e parte do PMDB. Integrantes da cúpula da legenda consideraram um "desrespeito" ao partido a iniciativa da presidente Dilma Rousseff em nomear o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) para a Secretaria de Aviação Civil (SAC).

No entendimento de parte dos integrantes do partido ligados ao vice-presidente da República e presidente Nacional do PMDB, Michel Temer, com a iniciativa o governo "atropela" decisão tomada, no último sábado (12), na Convenção da legenda. Na ocasião, foi aprovada uma moção que proibiu o ingresso de qualquer correligionário em cargos do governo federal pelos próximos 30 dias.

A avaliação dentro da cúpula do PMDB é de que o fato de serem atropelados irá ampliar a crise do partido com o governo, num momento em que o Palácio do Planalto tenta uma reaproximação para tentar evitar os avanços do processo de impeachment contra a presidente Dilma. Nos últimos dias, lideranças do PMDB do Senado, considerados como fiéis da balança no processo de afastamento da presidente, têm ressaltado publicamente que Temer e o PMDB estão pronto para assumir o comando do País.

A expectativa dentro da cúpula da legenda é de que haja uma "radicalização" de setores da legenda, seja contra a petista, seja contra Mauro Lopes. O deputado deverá ser, inclusive, alvo de ação na Comissão de Ética do PMDB, que ao analisar o caso poderá tomar a decisão de expulsá-lo do partido. 

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