Para Planalto, ministro passou credibilidade

Mas futuro de Palocci, segundo assessores de Dilma, vai depender das reações dos aliados no Congresso

Tânia Monteiro e Andrea Jubé Vianna ,

04 de junho de 2011 | 01h43

O Palácio do Planalto avaliou ontem que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, passou credibilidade na entrevista concedida ontem ao Jornal Nacional, da TV Globo. De acordo com pesquisas instantâneas feitas pelo marqueteiro João Santana no momento em que a entrevista era exibida, Palocci "demonstrou firmeza" enquanto falava.

 

Interlocutores da presidente Dilma Rousseff afirmaram, porém, que a sobrevivência do ministro da Casa Civil dependerá das reações daqui para a frente, principalmente por parte dos aliados. Palocci está sob intensa pressão da oposição e do próprio PT.

 

Satisfeito. O líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), considerou satisfatórias as explicações de Palocci na entrevista ao ‘JN’ sobre sua evolução patrimonial. O patrimônio do ministro multiplicou 20 vezes em quatro anos, entre 2006 e 2010. "Foi importante porque ele deixou claro que não houve tráfico de influência nem uso de informações privilegiadas para garantir lucros das empresas", afirmou o petista.

 

Vaccarezza chamou a atenção para o argumento de que "não há crise" porque se trata de um problema individual de Palocci e não do governo. "Estaremos votando normalmente a partir da semana que vem, o meu esforço é para discutir as políticas do governo", ressaltou.

 

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), acha que a entrevista do ministro contribuirá para acalmar os ânimos na Câmara, onde o assunto foi "muito politizado". Ele observou, contudo, que Palocci deveria ter concedido essa entrevista há 15 dias, quando a crise eclodiu. "Era isso que a Nação queria, segurança, tranquilidade.

 

Ele deixou claro tudo o que fez", afirmou. O peemedebista acha que o futuro parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ajudará a eliminar as dúvidas dos mais reticentes quanto ao ministro.

 

‘Lisura’. O vice-líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), considerou a entrevista de Palocci "convincente". "As atividades privadas foram feitas quando ele não era ministro, não tenho dúvidas da lisura dele", afirmou. Cunha observou que Palocci não divulgou números nem os nomes das empresas para quem trabalhou, mas repetiu a tese de que ele não pode "de jeito nenhum" expor seus clientes.

 

A vantagem da entrevista, na visão do peemedebista, é que o ministro "atacou o problema de frente, não se escondeu atrás de uma nota de dez linhas", afirmou, em alusão às notas oficiais divulgadas pela assessoria de Palocci.

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