Para Planalto, decisão enfraquece Cunha, mas pode atrasar processo

Estratégia do governo era concentrar esforços para garantir os votos necessários para barrar o processo do impeachment no plenário

Isadora Peron, Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2015 | 23h55

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto evitou comemorar a decisão do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu na noite desta terça-feira, 8, a instalação da comissão especial formada na Câmara dos deputados que analisará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Se, por um lado, a decisão foi vista como um freio às manobras do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preocupa o governo a possibilidade de isso atrasar o andamento do processo no Congresso, já que a suspensão vai ser mantida até a próxima quarta-feira, dia 16, quando o plenário do Supremo vai analisar o caso.

À tarde, auxiliares palacianos classificaram como “completamente ilegal” a decisão de Cunha de não acatar as indicações dos líderes dos partidos e ter realizado uma votação secreta para escolher a chapa que iria compor a comissão. Já havia a expectativa de que o STF fosse atender ao recurso proposto pelo PC do B, já que a sessão havia sido “inusitada e cheia de problemas”.

Diante da derrota que o governo havia sofrido, a estratégia do Planalto era esquecer o embate na comissão e concentrar esforços para garantir os votos necessários para barrar o processo do impeachment no plenário. Um ministro comemorava o fato de que, mesmo em votação fechada, a oposição havia conseguido apenas 272 votos, quando são necessários 342 para aprovar o afastamento da presidente.

O sentimento agora dentro do Planalto é que é preciso vencer uma batalha por vez até sepultar o processo de impeachment.

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