Para PF, provas da Navalha contra Rondeau são ´robustas´

Investigadores da Polícia Federal estão convencidos de que é robusto o conjunto de provas envolvendo o ex-ministro Silas Rondeau com a máfia das obras, desmantelada em abril passado pela Operação Navalha. Desse modo, no entender de um delegado que participou da investigação ouvido pelo Estado, o governo corre sério risco de desgaste se reempossar Silas no Ministério de Minas e Energia, sem ouvir a manifestação do Ministério Público e da Justiça a respeito do caso. O parecer é aguardado para os próximos dias.Segundo a PF, Silas teria sido o real beneficiário de um suborno de R$ 100 mil entregue por Maria de Fátima Palmeira, diretora da empreiteira Gautama, pivô do esquema, a Ivo de Almeida Costa, assessor especial do ministério. O envolvimento do ministro estaria caracterizado não só com a entrega do dinheiro a Ivo, mas no seu cruzamento com outros dados, como escutas telefônicas em que os líderes da quadrilha combinam o pagamento do suborno, agendas e outros objetos periciados e o rastro do dinheiro, seguido desde seu saque numa agência da Caixa em Salvador, até o momento da entrega.O dinheiro da corrupção, conforme a PF, não estava na pasta com papéis que Fátima levava na mão no dia da entrega, mas na robusta bolsa de couro a tiracolo que ela ostentava quando entrou no ministério. Ela entrou pela garagem privativa de autoridades no dia 13 de março passado e foi captada por imagens do circuito interno de TV do ministério. Então ela foi recebida por Ivo e com ele entrava na porta que dá acesso ao conjunto de seis salas do gabinete ministerial, no oitavo andar. Afastado em razão da denúncia, Silas nega envolvimento com o esquema.Laudo sob suspeitaToda confusão, conforme a PF, foi gerada pelo noticiário da TV Globo, que informou que o dinheiro estava na pasta. Laudos independentes produzidos pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp e por aliados de Silas, atestam que na pasta só conteria papéis, vez que não haveria espaço suficiente para acomodar a quantia.Para a PF, laudos como o de Molina só servem para fins políticos, pois o único laudo com valor jurídico é o produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), a serviço da polícia judiciária da União. Trata-se, a seu ver, de uma manobra. O suborno seria relativo à participação de Rondeau na liberação de recursos para obras do programa Luz para Todos, no Piauí, obtidas pela Gautama de forma fraudulenta com a conivência de servidores do Estado, presos na operação. A combinação do suborno, segundo a PF, está fartamente demonstrada nas escutas telefônicas, feitas com autorização judicial, entre Zuleido Veras, dono da Gautama, o lobista Sérgio Sá e Ivo, além de outros operadores do esquema.Escutas O rastreamento do dinheiro foi feito a partir de escutas telefônicas de Zuleido com outros membros da quadrilha indicando onde seria sacado, por quem seria transportado, a quem seria entregue no Ministério e a quem se destinava. Indicava também ser propina por conta de pagamentos de obras com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os dados estão descritos em detalhes num trecho exclusivo do relatório da PF chamado "Evento Luz Para Todos".Diz o relatório que Sergio Sá auxiliou Zuleido a resolver junto MME e a Eletrobrás um "impasse" que estaria dificultando a liberação de recursos pra as obras da Gautama no Piauí, atuando como lobista por constantes telefonemas pessoais com diretores da Cepisa, com Ivo, Silas e outras pessoas do esquema. Em fevereiro deste ano, Sérgio e Zuleido teriam participado de reunião no MME com José Ribamar Lobato, da Cepisa e o ministro, quando teriam acertado as bases da obra da Gautama.A partir de 7 de março, conforme o documento, ocorreram diversos diálogos apontando duas situações de prática de corrupção. Uma diz respeito à entrega de dinheiro a Jorge Targa, por Dimas Veras, a mando do irmão Zuleido, em razão de "compromisso assumido por conta da licitação". A outra situação "refere-se à entrega de vantagem pecuniária ilícita a Ivo Almeida e ao ministro Silas, possivelmente em contrapartida à destinação de recursos do PAC por meio do MME, ao convênio que beneficiou as obras da Gautama no Piauí", enfatiza.

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