Para Pezão, Cunha põe interesses particulares acima dos nacionais

Governador do Rio de Janeiro criticou colega de partido e afirmou 'ser difícil' mantê-lo no cargo; segundo o peemedebista, País precisa discutir pauta de governabilidade

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 15h05

BRASÍLIA - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), criticou nesta quinta-feira, 10, o colega de partido e presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e disse que "fica difícil" mantê-lo no cargo. Cunha tem lançado mão de manobras para evitar o andamento dos trabalhos do Conselho de Ética que analisa um processo disciplinar contra ele.

 

"Ele fica colocando os interesses dele acima dos interesses do País. Um chefe de poder, e é um poder tão importante... estamos precisando discutir uma pauta de governabilidade, que não seja pautas-bomba e nós estamos discutindo essas questões... Isso não soma", disse Pezão. Questionado se o presidente da Câmara tem condições de se manter no cargo, o governador disse que "fica ruim". "Acho um desserviço ao País não estarmos com uma pauta proativa."

Ele minimizou o fato de a bancada peemedebista estar rachada na Câmara sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff e disse ver maioria do partido a favor da "governabilidade".

"Quando que o PMDB não foi rachado? O PMDB está sempre rachado. Às vezes em três, quatro frentes (...) Acho que tem muito mais gente favorável à governabilidade do que ao impeachment. Não estou dentro do parlamento, mas vejo de conversa entre os governadores e prefeitos, muita gente apostando na governabilidade."

Pezão foi um dos críticos à destituição do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) da liderança do partido na Câmara. A medida contou com apoio de Cunha e aval do vice-presidente Michel Temer. Picciani é visto como aliado da presidente Dilma Rousseff e contrário ao processo de impeachment.

"Acho muito ruim ter uma medida dessa contra um líder que se dedicou à governabilidade, à chapa da Dilma e do Michel, uma pessoa que esteve nos momentos mais difíceis ao lado do governo", disse Pezão. Ele classificou a operação como uma "medida de força, desnecessária" dentro do partido.

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