Para petistas, Congresso não é 'apropriado' para investigar Palocci

Governadores sustentam que Casa é local de discussão política e oposição deve buscar o Ministério Público Federal para cobrar esclarecimentos sobre ministro

Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2011 | 16h20

BRASÍLIA - Depois de três horas de reunião com o presidente do PT, Rui Falcão, governadores petistas saíram nesta segunda-feira, 23, em defesa do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, que a oposição quer levar ao Congresso para explicar a origem de seu patrimônio. Para o governador da Bahia, Jaques Wagner, o Congresso é uma Casa política, e não o local apropriado para investigações.

"Por que o Congresso?", perguntou Wagner, após o encontro na residência oficial do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. "A gente sabe o que é o Congresso, com todo o respeito. O Congresso pega cada tema para fazer luta política. Se querem esclarecimento, o melhor caminho é o do Ministério Público Federal."

Wagner disse que tanto o apartamento de Palocci, comprado em 2010 por R$ 6,6 milhões, como o seu escritório - adquirido no ano anterior por R$ 882 mil - estão registrados no nome do ministro. "Quem quer fazer o caminho escuso não compra algo em seu próprio nome", disse o governador da Bahia. "Quem tem um faturamento que não quer ver revelado usa o expediente do laranja, de caixa 2."

O governador da Bahia chegou a telefonar para Palocci, manifestando solidariedade. Quando era ministro de Coordenação Política, no governo Lula, Wagner teve vários embates com Palocci, à época titular da Fazenda. "Quero insistir que há um homem público, mas não tem coisa pública envolvida nesse episódio", disse Wagner.

Reportagens publicadas nos últimos dias mostraram que pelo menos 20 clientes da empresa de consultoria Projeto - de propriedade de Palocci - tinham negócios com o governo federal.

Menos crítico do que Wagner em relação à oposição, o governador de Sergipe, Marcelo Déda, disse que convocações de ministros para depor, no Congresso, fazem parte do "cotidiano". "Ninguém deve ver nisso uma tentativa de desestabilização", comentou Déda.

"Agora, quem tem de avaliar (se o ministro-chefe da Casa Civil deve ou não ir ao Congresso prestar esclarecimentos) é o governo e o próprio Palocci. Achar pelos outros é a profissão mais fácil de ser exercida no Brasil." Déda afirmou, porém, que Palocci mostra intenção de esclarecer "todas as questões postas sobre o seu patrimônio".

A reunião com o presidente do PT foi convocada para debater as reformas política e tributária, além da dívida dos Estados, mas a crise provocada pelo tema Palocci ocupou parte do encontro. "É óbvio que mencionamos a questão política e entendemos que ela vem sendo conduzida corretamente pelo governo", disse Falcão. "Vamos aguardar as próximas iniciativas do ministro."

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