Para petista, Justiça Eleitoral favoreceu rival

Marta reclama da quantidade de decisões judiciais que penalizaram sua candidatura

Clarissa Oliveira e Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2008 | 00h00

Em sua última fala antes de perder a eleição para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), a petista Marta Suplicy reclamou da Justiça Eleitoral. Dizendo ter sido alvo de uma campanha "desqualificadora" montada por seu adversário, Marta queixou-se da quantidade de decisões judiciais desfavoráveis a sua candidatura, em comparação a penalidades aplicadas contra o rival."Notei que fomos sempre penalizados e ele, raramente. E eu achei que, durante a campanha, a minha imagem foi sempre desqualificada e nada foi feito", afirmou a petista, que na reta final perdeu parte de seu tempo no rádio e na televisão, por causa da propaganda em que questionou a vida pessoal do prefeito.Marta disse considerar natural a elevação do tom na reta final, mas acusou Kassab de ter procurado atingir sua imagem. "Ele sempre passava como rapaz bonzinho, por que (o ataque) não saía da boca do candidato. Mas as musiquinhas... Não era uma coisa de frente." As declarações foram feitas em café da manhã com jornalistas, horas antes de ser anunciada a vitória de Kassab. Desde cedo, o clima já era de derrota. O encontro com a imprensa foi transformado num grande ato de despedida, com dezenas de petistas envolvidos na campanha.Ainda pela manhã, Marta votou rapidamente no Colégio Madre Alix, acompanhada apenas de alguns aliados. A família a esperava em sua casa, onde permaneceu durante todo o dia. Ela só saiu no início da noite, para admitir a derrota. "Agora, cabe ao povo de São Paulo fiscalizar e cobrar os compromissos assumidos pelo novo prefeito. Da minha parte, eu desejo o melhor para nossa cidade", disse Marta, que agradeceu os votos recebidos e contou que telefonou a Kassab para cumprimentá-lo. Hoje, a petista viajará para Iporanga, no Guarujá, onde vai descansar em sua casa de praia por uma semana.Entre a votação e a declaração no fim do dia, a casa da ex-ministra foi o palco de alguns protestos. Apesar do portão fechado, eleitores gritavam das janelas de seus carros frases como "relaxa e goza", numa referência à fala da petista durante a crise aérea, quando ela ainda era ministra do Turismo. Um pequeno grupo vestindo fantasias de palhaço também passou alguns minutos no local, dizendo protestar contra a influência do marketing na eleição.Durante todo o dia, petistas protagonizaram um entra-e-sai na casa de Marta. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) endossou as críticas à Justiça Eleitoral e disse que "o uso da máquina pública foi muito forte" na disputa. Já o vice Aldo Rebelo (PC do B-SP) afirmou que a petista foi a candidata "mais atacada, alvo de maior número de preconceitos por ser mulher". Coordenador da campanha, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que Marta pode concorrer ao governo, em 2010. "Quem sai da cidade de São Paulo com 40% é uma pessoa que tem muito futuro pela frente." A tese de que a petista continua "eleitoralmente forte" também guiou o discurso do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). "As alternativas ela vai refletir e, sobre a possível volta ao governo, depende do presidente Lula." COLABOROU FABIANE LEITEFRASESMarta SuplicyCandidata derrotada do PT"Eu notei que fomos sempre penalizados e ele, raramente. E eu achei que, durante a campanha, minha imagem foi sempre desqualificada e nada foi feito""Ele sempre passava como rapaz bonzinho, porque não saía da boca do candidato. Mas as musiquinhas..."

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