Para petista em Caracas, senadores de oposição desrespeitaram governo de Maduro

João Daniel (PT-SE) criticou iniciativa dos parlamentares brasileiros em tentar visitar políticos opositores na Venezuela

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2015 | 11h53

CARACAS - Integrante da comitiva de grupos de movimentos sociais brasileiros de passagem por Caracas, o deputado João Daniel (PT-SE) criticou a iniciativa dos senadores brasileiros em tentar visitar políticos opositores ao governo de Nícolas Maduro que se encontram presos. 

"Acho que os senadores poderiam vir e ver os dois lados. Eles vieram para fazer um ato politico contra o governo da Venezuela, o que é lamentável", afirmou ao Estado João Daniel. "Lamento profundamente que um grupo de senadores coordenados por Aécio Neves venha visitar e ser solidário. O caso da prisão estão tratando como política e no nosso entender não é. Por uma questão de respeito ao governo da Venezuela, eles também deveriam ouvir as autoridades locais", emendou.

A defesa do deputado ao governo venezuelano também foi feita em entrevista na manhã de hoje à ANTV, canal de televisão estatal do governo venezuelano. Na ocasião, João Daniel considerou como "oportunista" a visita dos senadores brasileiros de oposição ao governo Dilma. E que ela serviria apenas para "desgastar o governo democrático.

Ao Estado, o deputado também considerou que o governo venezuelano não atuou para tentar impedir a visita dos senadores brasileiros aos políticos opositores ao governo Maduro. "Pelo o que eu sei, o governo da Venezuela os recebeu dentro de todo o trâmite normal. Não criou nenhum obstáculo para eles", disse João Daniel que desembarcou ontem em Caracas no mesmo horário dos senadores. 

Visita - Num clima de tensão provocado pela ação de militantes pró-governo de Nicolás Maduro, e com direito a abordagem de militares com câmeras filmadoras, a comitiva de senadores brasileiros não conseguiu cumprir nesta quinta-feira, 18, agenda de visita a líderes políticos de oposição presos. 

O grupo, liderado pelos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores, voltou ao Brasil após cinco horas de espera e duas tentativas frustradas de sair do aeroporto metropolitano em direção ao centro da capital Caracas, a 21 quilômetros dali. 

Em nota, o governo brasileiro lamentou os incidentes com os senadores e classificou de "inaceitáveis" os ataques de manifestantes contra os parlamentares brasileiros, destacando que vai solicitar, "pelos canais diplomáticos, os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido".

O grupo de oito parlamentares, todos opositores à presidente Dilma Rousseff, visitaria líderes de oposição a Maduro, inclusive Leopoldo López, em greve de fome há 25 dias, e almoçaria com membros da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática. Havia, ainda, previsão de encontros com parentes de presos políticos e uma visita ao prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, que cumpre prisão domiciliar. Mas a comitiva teve de voltar antes do previsto ao Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.