DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Para peemedebistas pró-Dilma, saída de Padilha deixa digitais de Temer em apoio a impeachment

Também tem chamado a atenção dos parlamentares da legenda o fato de, até o momento, o vice-presidente não ter dado declarações públicas contra o impeachment e preferido se resguardar sobre o tema

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2015 | 13h30

BRASÍLIA - A iniciativa do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), de desembarcar do governo neste momento revela, na análise de integrantes da cúpula do PMDB do Congresso, as “digitais” do vice-presidente da República, Michel Temer, a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Padilha é um dos principais aliados do Temer e foi braço direito do vice-presidente no período em que o peemedebista assumiu no primeiro semestre a condução da articulação política do governo. A saída de Padilha do governo neste momento em que Dilma necessita de apoio dos aliados na condução do processo de impedimento demonstra, para integrantes da cúpula do PMDB no Congresso, que o grupo de Temer opera pelo afastamento da petista.

Também tem chamado a atenção dos parlamentares da legenda pró-Dilma o fato de, até o momento, o vice-presidente não ter dado declarações públicas contra o impeachment e preferido se resguardar sobre o tema.

Dentro das análises feita por peemedebistas do Congresso também é considerado o fato de que o grupo de Temer estaria atuando nos bastidores em parceria com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por dar início ao processo de impeachment. 

Na avaliação de peemedebistas pró-governo, essa atuação estaria ocorrendo, porém, com objetivos distintos. De um lado Cunha teria como objetivo embaralhar o jogo como uma forma de tentar sobreviver ao processo que enfrenta no Conselho de Ética da Casa, por quebra de decoro. E por outro lado, o grupo de Temer aproveitaria o início do processo de impeachment para nos bastidores pressionar pelo avanço das discussões no colegiado que conduzirá as discussões em torno do tema.

Nos bastidores, há ainda uma forte pressão de alguns setores do PMDB para que a legenda indique para a Comissão integrantes que tem um perfil de oposição ao governo.

Em meio ao desembarque de Eliseu Padilha, outros ministros ligados a Temer, como o do Turismo, Henrique Eduardo Alves, também têm sido constrangidos a tomar o mesmo caminho.

“Amigo@HenriqueEAlves,agora é hora de gente q construiu toda sua bela hist noPMDB,ñ permitir q constranjam nosso partido Viva Eliseu Padilha”, postou Geddel Vieira Lima, integrante da Executiva Nacional do PMDB, no seu perfil do Twitter.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.