Para Paulinho, governo "afinou" ao negociar com servidores

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, avalia que o governo "afinou" ao admitir negociar pontos da reforma da Previdência com o funcionalismo público, principalmente após o movimento de greve iniciado nessa semana. "O governo afinou muito cedo, na primeira batida de pé dos privilegiados", afirmou, em entrevista à Agência Estado. Segundo ele, a Força Sindical não apoiará uma reforma que não estabeleça teto de aposentadoria para os servidores. "Vamos continuar com essa história de servidor se aposentar com salários de R$ 30 mil, R$ 40 mil? Todos sabemos que o País precisa obter credibilidade internacional com as reformas e, por reforma da Previdência, eu entendo que deve-se acabar com esses privilégios, entre outros pontos", disse. O sindicalista comentou que, ao recuar na sua principal reforma, o governo não cumpre compromissos de campanha.PopularidadePara Paulinho, Lula deveria usar sua popularidade para defender a reforma da Previdência. "O Lula ainda tem credibilidade, conforme vimos nas pesquisas da semana passada. Então, que a use em defesa da reforma", afirmou. "É muito espetáculo do presidente em suas aparições públicas, mas nada de colocar a cara para bater sobre as reformas", acusou o sindicalista, que hoje assume a presidência do diretório paulista do PDT, um dos partidos da base aliada do governo Lula. "Estou propenso à convocar uma reunião da direção da Força Sindical e propor que a central apoie qualquer proposta do governo, porque não vamos ficar defendendo uma reforma de verdade, nos desgastando publicamente, se nem o governo quer entrar na briga com os privilegiados", ameaçou. Ele acredita que o recuo do governo na negociação da reforma vai se transformar em "um prato cheio" para os partidos de oposição. "Os partidos de oposição vão poder criticar à vontade, porque nem o governo é capaz de defender a proposta de reforma", justificou. "A coisa começou a desandar", complementou. Para ele, a greve do funcionalismo público, que entra hoje no seu terceiro dia, é "errada e fadada ao fracasso". "Nem os revolucionários do PSTU proporiam a retirada da reforma da Previdência do Congresso. Além disso, greve por tempo indeterminado, como essa, é errada em seu princípio porque não ganha apoio popular. Só o governo não percebeu isso e cedeu aos interesses corporativos do funcionalismo", apontou.

Agencia Estado,

10 de julho de 2003 | 12h47

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