Para Palocci, denúncias são fruto de disputa política

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi categórico hoje ao afirmar que não será candidato nas eleições de outubro deste ano. No depoimento à CPI dos Bingos, Palocci disse que as denúncias envolvendo o seu nome e de ex-assessores são fruto de disputa política e à eventual possibilidade de vir a ser candidato a cargo eletivo nas eleições de 2006. "Toda vez que alguém acha que sou candidato a alguma coisa, esses assuntos reaparecem. Não vou ser candidato a nada nesta eleição de 2006", garantiu o ministro, logo no início de seu depoimento. "Muitos acharam que eu era candidato e começaram a brigar comigo. Denúncias surgem todas às vezes que têm eleições", completou. Palocci deixou claro, no entanto, que não tem planos de abandonar a vida pública e que pretende se candidatar em eleições futuras. "O futuro a Deus pertence", observou o ministro, ao responder a pergunta do relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), se pretendia não concorrer mais a cargo eletivo.Antonio Palocci foi recebido pela oposição com tapete vermelho na CPI dos Bingos. Foi indagado brandamente pelos senadores oposicionistas que não o pressionaram nem quando deixou sem resposta suas perguntas. Aliás, a maioria dos senadores governistas não interpelou Palocci. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) chegou até a dizer que não via nada demais no uso de avião Sêneca do empresário José Roberto Conalghi pelo ministro da Fazenda. A senadora Heloísa Helena (Psol-AL) foi acusada pelos senadores aliados de tentar levar sua argüição para o campo das relações pessoais de Palocci com Rogério Buratti, ex-assessor do hoje ministro na prefeitura de Ribeirão Preto. Na avaliação da senadora, o ministro estava "mentindo o tempo todo" sobre seu relacionamento com Buratti. "Têm pessoas que se dispõem a testemunhar que o senhor era amigo do Buratti. É claro que essas pessoas preferem que a sessão seja secreta", disse. Bate-bocaNas seis horas do depoimento de Palocci, o único momento de tensão foi protagonizado pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), que criticou o comportamento da oposição. "A oposição concentrou suas perguntas nas questões relacionadas a sua gestão como prefeito de Ribeirão Preto. Alguns que falaram aqui são ex-governadores, ex-prefeitos que têm uma lista de inquéritos por irregularidades", disse Mercadante. "A oposição teve um comportamento respeitável, mas fez pressão para apequenar o senhor e diminuir a importância de sua obra", completou o líder governista. "Fui prefeito de Manaus e não tinha ninguém parecido com o Poleto nem o Buratti (ex-assessores do ministro Palocci). Não estamos discutindo aqui índices de desemprego e sim corrupção", reagiu o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Depois de um rápido bate-boca entre o tucano e o líder do governo, Palocci desautorizou Mercadante. "O Mercadante quis imputar uma postura agressiva à oposição com a qual não concordo", afirmou o ministro.Palocci chegou escoltado ao Congresso pelo ministro da Articulação Política, Jacques Wagner, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pelo ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), e pelo senador Antonio Carlos Magalhães. O ministro foi à CPI acompanhado de todo o staff do Ministério da Fazenda, desde o seu secretário executivo Murilo Portugal até o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.A seguir, leia trechos do depoimento do ministro: Rogério Buratti : "Depois que ele saiu da prefeitura, eu me afastei, ele se afastou, nossas famílias se afastaram. Não rompi o relacionamento com ele, mas me afastei. Depois da Gtech não tive mais contato com ele"."Não gostaria de interpretar razões subjetivas que levam determinadas pessoas a fazer certas declarações, ele (Buratti) estava detido, algemado, gravado, exposto (quando o acusou)".Candidatura : "Toda vez que alguém acha que eu vou ser candidato, este assunto (corrupção em Ribeirão Preto) reaparece. Não vou ser candidato nestas eleições de 2006. Sobre as próximas, o futuro a Deus pertence".Denúncias : "Sei o que eu fiz e o que não fiz na prefeitura de Ribeirão. Sei que não cometi malfetorias que querem me atribuir. Vocês sabem que eu não sou de muita briga, mas quem não tem na sua base uma luta aguerrida".Vladimir Poleto : "Eu não conheço, estive duas vezes com ele, o cumprimentei, ele estava em atividade, soube depois que ele assessorava o Ralf (Barquete), era funcionário da prefeitura. Não tenho nada contra ele, não . Nunca conversei com ele, a não ser bom dia, boa tarde, se não me engano 2 ou 3 vezes".Ademirson Ariosvaldo da Silva : "É meu assessor pessoal há 17 anos, pode ser 16 ou 18, é em torno deste período. Chegou até mim e disse que os números dos telefones da CPI não eram reais, havia encavalamento e ligações não completadas".Roberto Carlos Kurzweil - "Ele era o presidente de uma empresa que detinha na minha primeira administração o serviço de saneamento da cidade, não foi contrato por mim. Durante meu governo, ele venceu uma única licitação".Juscelino Dourado: "Ele não foi demitido, ele pediu para se afastar do ministério antes de vim depor (na CPI), disse que não se dava bem com o ambiente que havia sido criado na atividade dele, ele é não é político, disse que tinha ficado muito desgostoso com o que estava ocorrendo envolvendo seu nome e que a sua família tinha ficado muito abalado. Falei que antes dele deixar o ministério, seria importante fazer um esclarecimento. Eu não o demitiria". José Roberto Colnaghi : " Eu o conheci em 2202, ele é do interior de São Paulo, presta serviço na área de informática e da agroindústria".Gtech/CEF : "Depois que o assunto surgiu, dialoguei com o Mattoso (Jorge Mattoso, presidente da Caixa) e quero dizer que a conduta da Caixa foi exemplar".Ex-presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino : "É uma pessoa humilde, de respeito, não tem nenhuma acusação contra ele na Casa da Moeda. O que ocorreu foi uma atividade partidária". Assessores : "Insisto que não posso ser responsável por uma pessoa que trabalhou comigo há 10 anos. Não é razoável isso"Falta de indignação : "Quero repetir que não sou frio.Sou apenas tranqüilo em relação aos procedimentos que fiz ou que meus assessores fizeram

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