Para pacificar tucanos, Alckmin nomeia Calabi

Com bom trânsito no PSDB em São Paulo, futuro secretário da Fazenda é próximo de José Serra, mas também é amigo íntimo do governador eleito

Roberto Almeida, de O Estado de S.Paulo,

13 Dezembro 2010 | 19h54

SÃO PAULO - Ao anunciar nesta segunda-feira, 13, mais três nomes de sua equipe, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aproveitou a chance para pacificar a ala serrista do partido. Um dos indicados é Andrea Calabi, amigo do ex-governador José Serra (PSDB), que assumirá a Fazenda.

 

A opção de Alckmin por Calabi - nome com bom trânsito entre as duas alas do PSDB paulista - coloca ponto final nas articulações do grupo de Serra para que o atual secretário da Fazenda, Mauro Ricardo, fosse mantido na pasta. No jogo de acomodação, Ricardo tem futuro incerto, mas foi sondado pela Prefeitura de São Paulo - em que foi secretário de Finanças da gestão Serra - e pelo governador eleito de Minas, Antonio Anastasia (PSDB).

 

Na avaliação de tucanos ligados à transição, Calabi tem mais proximidade com Alckmin para desempenhar a função, além de ter maior poder de interlocução e articulação. Em seu favor, o futuro secretário da Fazenda tem uma passagem na gestão anterior do tucano. Entre 2003 e 2005, foi o titular da pasta de Planejamento de Alckmin.

 

Ricardo, por sua vez, é considerado pelos aliados do governador eleito como um quadro excessivamente técnico. Ele é auditor de carreira da Receita Federal. Na visão desse grupo tucano, sua autonomia à frente da pasta, oferecida por Serra, não teria continuidade sob Alckmin, o que poderia gerar conflitos.

 

Ao Estado, Calabi afirmou que reforçará bandeiras da Receita estadual, como a Nota Fiscal Paulista. "É um bom instrumento, que será mantido e aperfeiçoado", afirmou. Para ele, o foco primordial será o de melhorar os sistemas de fiscalização de grandes contribuintes.

 

Em outra frente, o futuro secretário disse que lutará pela desoneração de todos os produtos da cesta básica - uma promessa de campanha de Alckmin. "É uma visão importante, social."

 

Calabi é o terceiro nome próximo de Serra a ser confirmado por Alckmin em sua equipe, em um total de 13 anúncios. Foram também contemplados Linamara Rizzo Battistella (Direitos da Pessoa com Deficiência) e Sidney Beraldo (Casa Civil), ambos com atuação protagonista na atual gestão tucana.

 

Coordenação

 

No anúncio desta segunda, Alckmin fechou sua equipe de coordenação de governo ao oficializar o nome do deputado federal reeleito, Emanuel Fernandes (PSDB), para a pasta de Economia e Planejamento.

 

Fernandes, que vinha sendo cotado desde a vitória tucana no Estado, é próximo de Alckmin e faz parte de sua cota pessoal de nomes. Foi, entre 2005 e 2006, secretário de Habitação do tucano, além de governar São José dos Campos por dois mandatos. A cidade fica no Vale do Paraíba, região onde Alckmin tem forte influência.

 

Alckmin indicou ainda o novo procurador-geral do Estado, Elival da Silva Ramos. Ele trabalhou na gestão do tucano, entre 2001 e 2006, chefiando o mesmo setor do governo.

 

Ramos já recebeu de Alckmin a primeira tarefa de sua gestão. Montará um grupo de trabalho para analisar o processo de divisão dos royalties do pré-sal. "Essa questão não era tratada com muita ênfase, agora, cada vez mais será", afirmou.

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