Para oposição, voto de relator envolve Lula no mensalão

Senador Alvaro Dias (PSDB) diz que Dirceu era o 2º na hierarquia do esquema e tinha aval do ex-presidente

Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2012 | 20h26

Parlamentares da oposição avaliam que o voto do relator do mensalão no Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, condenando o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, por corrupção ativa fortalece a tese de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha conhecimento e apoiava o esquema de compra de votos de deputados. Eles alegam que seria impossível executar o desvio de recursos públicos sem o aval do então chefe do Executivo.

"José Dirceu era o segundo na hierarquia desse esquema de corrupção", afirma o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR). "O ministro era peça fundamental, foi o idealizador e o operacionalizador, e com certeza tinha o aval do presidente para agir dessa forma", argumenta. O líder tucano prevê a possibilidade de alguns dos condenados "soltarem a língua" para contar o que sabem. "Afinal, eles foram leais até aqui, mas o processo de condenação pode fazê-los mudar de posição", acredita.

Na avaliação do líder do DEM, José Agripino (RN), à medida que avança, o julgamento do mensalão deixa evidente o entendimento de que José Dirceu e os demais condenados não poderiam agir à revelia do presidente Lula. "Assim como foram condenados os mandados, o julgamento caminha para condenação dos mandantes", alega.

O democrata lembra que as investigações do esquema vão continuar abrindo inclusive novas brechas para que os envolvidos condenados ajudem a esclarecer eventuais pontos do escândalo evitados pela CPI dos Correios e pelo Ministério Público. "Com o encaminhamento da aplicação das penas, as reações ficarão imprevisíveis", justifica. Em apoio à sua expectativa, lembra que a solidariedade dos próprios petistas com relação aos envolvidos no mensalão está "encolhendo" se comparada há poucos meses atrás. "Há seis meses, o barulho de solidariedade era grande e hoje virou quase um cochicho", compara.

É igualmente prevista pelo líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), a perspectiva de serem identificadas "novas descobertas" do esquema após a condenação dos acusados por corrupção ativa. "Ficou patente que não foi caixa dois, foi para comprar deputados e ninguém faz uma coisa tão organizada como essa sem dispor de um comando forte", destaca. O deputado prevê que os "próximos passos" da investigação vão mostrar que "muita coisa paralela" ficou de fora até aqui. Ele lembra que o próprio José Dirceu disse mais de uma vez que não fazia nada sem o aval do presidente Lula. No seu entender, está passando da hora de Lula se manifestar.

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