Para oposição, vaia na abertura do Pan é alerta a Lula

Presidente classifica manifestação de ´molecagem´: ´Eu não tenho medo de vaia´

Vera Rosa e Carlos Marchi, do Estadão

15 de julho de 2007 | 13h58

As vaias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu sexta-feira, na abertura dos Jogos Pan-americanos, no Estádio do Maracanã, foram uma surpresa para ele, seus aliados e até para a oposição. "Foi bom para ele não confundir popularidade com onipotência", afirmou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) ao Estado. Um assessor disse que Lula classificou as vaias como "molecagem", que ficou muito irritado e teria dito: "Eu não tenho medo de vaia."A oposição comemorou. "É bom para ele não se achar dono da opinião pública e saber que há súditos que vaiam", comentou o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB. "Essa ação no Maracanã foi fruto de irreverência, um gesto de meninada que quer fazer barulho", rebateu o senador Romero Jucá (RR), líder do governo. Ele lembrou que o escritor Nelson Rodrigues dizia que no Maracanã as pessoas vaiam até minuto de silêncio. Para o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), uma série de desacertos do governo no semestre - a crise dos aeroportos, o episódio Renan Calheiros no Senado e os sucessivos escândalos de corrupção - justificam a vaia. "A população começa a ver o governo com outros olhos", disse.Um dia depois do episódio, porém, ministros e parlamentares aliados pareciam mais dispostos a abafar o protesto, que, no diagnóstico do Planalto, pode ser traduzido como "ato de irreverência" ou "coisa orquestrada" para causar constrangimento ao presidente. Os oposicionistas entenderam que a vaia no Maracanã adveio de um conjunto de pessoas que não formam no público que aprova o presidente. "Ficou claro que uma parcela da população o rejeita", disse ACM Neto.

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