Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Para oposição, prisão de Vaccari reforça discussão sobre impeachment de Dilma

Para o vice-presidente da CPI da Petrobrás, deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), prisão do tesoureiro do PT é mais um constrangimento para o governo da presidente

Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2015 | 09h38

BRASÍLIA - Para a oposição, a prisão do tesoureiro do PT João Vaccari Neto pela Operação Lava Jato nesta quarta-feira, 15, reforça a discussão sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Vaccari é acusado de captar dinheiro de origem ilícita da Petrobrás para campanha da presidente em 2010 e para o caixa do PT. Em depoimento de delação premiada, o ex-gerente da petroleira Pedro Barusco disse que repassou US$ 300 mil dólares para o tesoureiro atendendo a um pedido do petista para reforçar o caixa da campanha de Dilma. A cunhada de Vaccari também foi alvo de mandato de prisão temporária e a mulher dele de condução coercitiva na 12a fase da Lava Jato deflagrada hoje.

"É preciso dizer que o teatro armado na CPI da Petrobrás pelo PT e seu principal ator do petrolão João Vaccari não deu certo. Mentiu, tergiversou, desviou a atenção, procurou fazer uma peça teatral imaginando que a justiça não iria mandar prendê-lo como fez agora. Receber doação de empresa é uma coisa. Agora, operar esquema de corrupção e superfaturamento de obras dentro da Petrobrás é outra. As condições estão sendo criadas para o impeachment. O povo na rua, a PF, o Ministério Público e o Judiciário agindo. Cada vez o cerco apertando mais. Será inevitável no final o processo de impeachment", afirmou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR).

Para o vice-presidente da CPI da Petrobrás, deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), a prisão de Vaccari é mais um constrangimento para o governo da presidente Dilma. "É uma situação extremamente constrangedora para o partido do governo ter dois tesoureiros presos no mandato da presidente Dilma." Delúbio Soares foi preso na primeira gestão da petista condenado por envolvimento no esquema do mensalão. 

Em depoimento na CPI da Petrobrás, na semana passada, Vaccari repetiu que "as afirmações feitas nas delações premiadas sobre minha pessoa não são verdadeiras." E disse ser "inocente." Segundo ele, vários partidos receberam doações de campanha das empresas investigadas na Lava Jato, não apenas o PT. "Todas as doações são feitas por meio de transações bancárias, estão dentro da legislação vigente e são declaradas à Justiça Eleitoral", declarou o tesoureiro aos integrantes da CPI.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.