Para oposição, orçamento de Serra vai engessar sucessor

Petistas também acusam governador de planejar obras com intuito eleitoral

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

01 de outubro de 2007 | 00h00

Gasto antecipado de recursos, com o comprometimento financeiro do próximo governo, falta de previsão de aumentos para os funcionários e interesse eleitoral em fazer obras de visibilidade no próximo ano. Estas são as principais críticas da oposição à proposta de orçamento para 2008, apresentada na sexta-feira pelo governador José Serra (PSDB). O projeto prevê ampliação de 12,1% nas receitas do Estado, que passariam de R$ 85 bilhões para R$ 95,2 bilhões. Há previsão de aumento de 46% nos recursos destinados a investimentos, principalmente por conta de empréstimos calculados em R$ 1,9 bilhão ante R$ 502 milhões neste ano. Para o líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Simão Pedro, Serra, em um estilo próximo ao do ex-governador Paulo Maluf, programa obras de impacto para 2008, com vistas às eleições presidenciais de 2010. O governador é um dos cotados para ser o candidato do PSDB na disputa. "Identificamos estas obras, como a ampliação do metrô, das linhas de trem da CPTM e reformas de estradas vicinais, todas com grande impacto", afirmou o parlamentar. As obras, todas com valores altos, na visão de Simão, podem comprometer o próximo governo, ao deixá-lo sem margem para investimentos. "Há algumas preocupações da bancada do PT com o orçamento, como, por exemplo, a proposta do governo estadual de ?vender? o pedágio do Rodoanel e receber à vista do concessionário R$ 1,6 bilhão, em uma concessão prevista para 20 anos. O próximo governo, independentemente de quem seja, terá problemas de caixa, já que os recursos estarão comprometidos", analisou. Segundo Simão, outro problema do orçamento é a falta de previsão de aumentos para os servidores públicos. "Estão previstas somente gratificações, o que não causa impacto nos salários. A folha está bem abaixo dos limites legais e o governo demonstra desprezo pelos funcionários."PRÁTICA CONTRÁRIAIntegrante da Comissão de Orçamento da Assembléia, o também petista Mário Reali vê a peça orçamentária como um documento contrário ao discurso do PSDB de garantir o equilíbrio fiscal. "Ao que parece, o governador assumiu o discurso desenvolvimentista do presidente Lula. Há um aumento nos investimentos, o que é positivo, mas o seu sucessor terá dificuldades para pagar a conta."

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