Para oposição, ONG ameaça mais que cartão

Apesar do bloqueio imposto para impedir as investigações, a CPI das ONGs é tida hoje pela oposição como uma ameaça ao governo maior do que a investigação dos cartões corporativos. A avaliação, segundo o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), deve-se aos "fortes indícios" de que os desvios de recursos públicos patrocinados por pessoas e entidades ligadas ao PT e ao Planalto são muito superiores às irregularidades cometidas com o uso dos cartões corporativos do governo. Iniciada em outubro, a investigação das ONGs tem sido sistematicamente boicotada por senadores da base do governo. O principal deles é relator, o senador Inácio Arruda (PC do B-CE). Escolhido para o cargo com o aval direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Arruda é quem dá o tom sobre os requerimentos que devem ou não ser aceitos. Ainda assim, Heráclito acredita que a comissão já apresenta resultado por ter desengavetado nos Estados inúmeros processos sobre malversação de recursos por essas entidades.MINISTÉRIO PÚBLICO"Os promotores estão atentos e ajudam a CPI, ou municiando a comissão com novos dados ou transmitindo informações que complementam denúncias", contou Heráclito. O senador pediu ao presidente da comissão, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), que solicite ao Ministério Público a presença constante de um de seus representantes para acompanhar os trabalhos do colegiado. "Temos de procurar essa aliança porque no plenário não se consegue quebrar um único sigilo", diz Colombo.

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