Para oposição, não há retorno

Nova suspeita é ?gravíssima?, afirma Álvaro Dias

Elizabeth Lopes, O Estadao de S.Paulo

16 Outubro 2007 | 00h00

As novas denúncias contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgadas pelo Estado, podem resultar no seu afastamento definitivo da presidência do Senado e, até mesmo, na cassação de seu mandato. As afirmações foram feitas ontem pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Marco Maciel (DEM-PE), e pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "Essa nova denúncia é gravíssima e, se for confirmada, justificaria a cassação e poderíamos dispensar os outros fatos", destacou o tucano, após participar de debate sobre o voto secreto ou aberto na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Para Dias, o afastamento por 45 dias da presidência do Senado não resolve as pendências existentes e as novas denuncias agravam ainda mais o cenário. "O Senado está achincalhado perante a opinião pública, porque Renan deveria ter se licenciado logo no primeiro momento. E isso foi ruim para ele, porque não resta outra alternativa aos senadores a não ser cassar o seu mandato. Espero que o Senado aja com rapidez antes do prazo de 45 dias de sua licença", opinou o tucano. O presidente da CCJ preferiu ser cauteloso quanto à possibilidade de cassação, mas defendeu uma investigação no Senado sobre o envio de recursos da União para uma empresa fantasma, em Alagoas, e falou no afastamento definitivo de Renan da cadeira de presidente. Mesmo destacando que não tinha conhecimento total dos fatos, Maciel avaliou: "Acredito que o Senado deve, agora, prosseguir na análise dos fatos e, quem sabe, em função disso provocar o afastamento definitivo dele das funções no Senado." O presidente da CCJ também participou do debate promovido pela Fecomércio. Questionado se os novos fatos que pesam contra Renan poderiam justificar a sua cassação, como argumentou o tucano, Maciel foi cuidadoso: "Eu não quero avançar porque acho que é muito arriscado condenar antes de concluir um julgamento. A todos é assegurado o chamado amplo direito de defesa, porque vivemos em um Estado democrático e de direito".

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