DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Para oposição, escolha de Bendine para Petrobrás é 'decepcionante'

Lideranças criticam indicação por atual presidente do Banco do Brasil não ser ligado ao setor petrolífero

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2015 | 14h51

Atualizado às 15h23

Brasília - Lideranças de partidos da oposição no Congresso Nacional classificaram como "decepcionante" a escolha de Aldemir Bendine, atual presidente do Banco do Brasil, para presidir a Petrobrás. "Ele não tem conhecimento de um setor extremamente complexo e não possui estofo para levar a Petrobrás a um patamar de credibilidade que ela necessita neste momento", avaliou o líder do PPS na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno (PR), que considerou o nome "decepcionante".

O Conselho de Administração da Petrobrás está reunido nesta manhã em São Paulo para definir a composição da nova diretoria da estatal. A expectativa é que a Petrobrás anuncie oficialmente os nomes apenas no fim da tarde, após o fechamento dos mercados.

O deputado lembrou que o episódio do empréstimo de R$ 2,7 milhões autorizado pelo executivo à socialite Val Marchiori quando ela tinha restrição de crédito por não ter pago outro financiamento do Banco do Brasil. Na época, o banco afirmou que a transação foi regular. "Não podemos dizer que é um currículo que o recomende para assumir uma empresa da grandeza da Petrobrás", disse. 


O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), se referiu a Bendine como uma "solução caseira" porque a presidente Dilma Rousseff não conseguiu trazer ninguém de fora de seu grupo político. "Esperava-se um nome com menor ligação com o Palácio do Planalto, mas o governo Dilma está tão desacreditado que se tornou difícil achar alguém que queira fazer parte dele", afirmou, em nota.

Na avaliação do tucano, a escolha do atual presidente do Banco do Brasil sinaliza que a estatal continuará sofrendo interferência do governo. O parlamentar disse que a queda nas ações da estatal indicam a frustração do mercado com a escolha da presidente.

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), baseou seu comentário na reação do mercado financeiro à nomeação e afirmou que a queda nas ações da empresa demonstra que o executivo não tem capacidade para fazer mudanças reais na estatal. "Bendine é um nome sem prestígio e condições de reerguer a empresa. Ele não tem currículo que o credencia e só está onde está pois sempre foi subordinado a questões políticas. Os nomes que poderiam ajudar não aceitam a missão porque Dilma não dá autonomia para uma gestão eficiente e transparente na Petrobrás", concluiu Caiado.

Os partidos de oposição acreditam que Bendine foi escolhido por seu perfil de "subserviência" à presidente Dilma Rousseff. "Para substituir a presidente da Petrobrás, a exigência maior era escolher alguém da total confiança de Dilma. Ponto. A escolha foi feita", declarou em nota o presidente do DEM, senador José Agripino (RN).

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