Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para oposição, apoio põe Dilma no centro da crise

Alvaro Dias, vice-líder do PSDB no Senado, vê blindagem de Graça como 'cumplicidade' da presidente com esquema

RICARDO BRITO, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2014 | 02h04

BRASÍLIA - Lideranças da oposição afirmaram ontem que a presidente Dilma Rousseff entrará no centro da crise de corrupção que envolve a Petrobrás ao ter saído em defesa da presidente da estatal, Graças Foster.

Em entrevista exibida anteontem pelo Fantástico, da TV Globo, a ex-gerente executiva de Abastecimento da Petrobrás Venina Velosa da Fonseca disse ter alertado pessoalmente Graça, quando a executiva máxima da companhia era diretora de Gás e Energia, sobre irregularidades.

Para o vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), o comportamento da presidente de blindar Graça é de "conivência" e de "cumplicidade" com o esquema de corrupção na estatal. "Essa blindagem compromete a presidente, ela é reveladora de um fato: Dilma também tinha conhecimento de tudo e o constrangimento em afastar a Graça é porque, afastando-a, ela (Dilma) também deveria ser afastada (da Presidência). A Dilma também sabia."

O líder da Minoria no Congresso, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), disse que o apoio de Dilma a Graça mostra que a presidente atestou e puxou para si "todas as denúncias e atos de corrupção da Petrobrás". "Consequentemente, tudo o que feito de errado na empresa tem a bênção de Dilma. Todos os crimes descobertos tem agora de ser respondidos diretamente pela presidente da República."

Para o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), é muito estranha a insistência da presidente em manter a atual diretoria. "Esse comportamento da presidente Dilma expressa todo o descrédito de uma empresa jogada em um verdadeiro mar de desvios e irregularidades. Qual missão a diretoria está cumprindo? Quem estão querendo proteger, o que estão escondendo?"

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), chamou de "piada pronta" o fato de a presidente ter dito, em entrevista a um jornal chileno, que o país não vive uma crise de corrupção. Ele defendeu que a próxima legislatura do Congresso crie uma nova CPI para aprofundar as investigações das denúncias que envolvam a Petrobrás.

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