Para oposição, ACM e Arruda se complicam

A oposição festejou a acareação dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) com a ex-diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado, Regina Célia Borges. Parecia torcida de futebol. O argumento predominante era de que os depoimentos ao Conselho de Ética agravaram ainda mais a situação de ACM e Arruda, acusados de violarem o painel eletrônico do Senado na votação que cassou o mandato de Luiz Estevão, em junho do ano passado. "A acareação foi bom negócio para a doutora Regina e péssimo para ACM e Arruda", resumiu o senador Paulo Hartung (PPS-SE). "Está clara a quebra do decoro parlamentar, e o caminho é a cassação dos dois senadores." Para o deputado José Dirceu, presidente nacional do PT, a participação do ex-presidente do Senado e do ex-líder do governo no episódio é "pública, notória e dispensa provas". A senadora Heloísa Helena (PT-AL), acusada de ter votado contra a cassação de Estevão, disse que a "mentira foi desmascarada". Heloísa Helena chegou ao Conselho de Ética às 14h45, aparentando tranqüilidade. "Estou muito calma", garantiu. ACM tentou dar uma estocada na petista. Depois de repetir que destruiu a lista de votação, disse que não acreditou no que leu. "Poderia ser uma lista apócrifa", observou. "Tinha nomes ali, confesso, que eu não acreditava que tinham votado a favor do senador Luiz Estevão", completou. Heloísa Helena rebateu e afirmou que ninguém tinha "autoridade moral" para falar sobre o seu voto. Ex-petista, o senador Lauro Campos (sem partido-DF) causou surpresa no Conselho de Ética ao fazer vários elogios a ACM. "Estou revendo meu voto sobre a participação de Antonio Carlos Magalhães no episódio", contou. Apesar de assegurar que tendia a ser "mais rigoroso" com ACM, Campos deu declarações que iam em outro sentido. "ACM agiu de maneira muito eficiente e prestou um serviço político ao Brasil, porque, se não fosse a ação dele, o senador Luiz Estevão não seria cassado", argumentou. "Só acho que ele deveria ter dado por concluída sua tarefa assim que nos livrou de Luiz Estevão." O senador disse entender a situação de Regina Célia Borges.Quanto a Arruda, foi menos condescendente. "Ele confessou três vezes", afirmou. Campos deixou o PT há menos de um mês depois de uma briga com o presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva. As divergências entre ambos se acentuaram depois que Lula declarou apoio à candidatura de Cristovam Buarque (DF) ao Senado. Adversário de Cristovam, Campos quer concorrer à reeleição. "Ainda bem que ele não está mais no PT", afirmou José Dirceu ao assistir aos elogios de Campos a ACM.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.