Para Odebrecht, ação da PF na Operação Fair Play é 'injustificável'

Operação deflagrada nesta sexta-feira apura superfaturamento de R$ 42 milhões nas obras da Arena Pernambuco para a Copa do Mundo; empreiteira diz ter 'convicção da plena regularidade e legalidade do projeto' e se coloca à disposição para esclarecimentos

Talita Fernandes, Andreza Matais e Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 12h06

BRASÍLIA – A construtora Odebrecht classificou as ações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Fair Play, como “injustificáveis”. Por meio de nota, a empresa reconheceu que sua sede no Rio de Janeiro, e os escritórios de São Paulo, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Brasília são alvo de buscas e apreensões. Maior construtora do País, a Odebrecht foi a responsável por quatro estádios da Copa.

A Operação, deflagrada na manhã desta sexta-feira,14, tem o objetivo de coletar dados e informações relacionados à Arena Pernambuco, estádio construído em São Lourenço da Mata, região metropolitana do Recife, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.

Por meio de nota, a Odebrecht disse que “tem convicção da plena regularidade e legalidade do referido projeto. A CNO (Construtora Norberto Odebrecht) reafirma, a bem da transparência, que sempre esteve, assim como seus executivos, à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e apresentar documentos sempre que necessário”.

Os investigadores suspeitam de fraude na concorrência internacional que viabilizou a parceria público-privada para a obra da Arena Pernambuco firmada entre o Estado e a Odebrecht em fevereiro de 2010. A suspeita é a existência de um esquema de superfaturamento de R$ 42 milhões nas obras da Arena Pernambuco.

A ação, batizada de Fair-Play, remete à abertura da Copa das Confederações no Brasil, em 2013, quando o presidente da Fila, Joseph Blatter, pediu fair-play (conduta leal, respeito) à torcida enquanto a presidente Dilma Rousseff era vaiada no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

A empreiteira também é alvo da Operação Lava Jato, que apura cartel e corrupção na Petrobrás. Há suspeitas, segundo os investigadores, de que uma organização criminosa foi montada para corromper agentes públicos com vistas a favorecer a construtora na licitação para o empreendimento e viabilizar financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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