Para OAB, Palocci 'demorou' para se explicar

Presidente da entidade, Ophir Cavalcante, teme que justificativas apresentadas pelo ministro em entrevista ao JN fiquem 'pela metade'; oposição vai insistir na convocação no Congresso

Eduardo Kattah e Andrea Jubé Vianna

03 de junho de 2011 | 16h50

BRASÍLIA - A primeira entrevista do ministro Antonio Palocci, prevista para ir ao ar nesta sexta-feira, no Jornal Nacional, para explicar o aumento do seu patrimônio não acalmou os ânimos da oposição nem satisfez a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Para o presidente nacional da entidade, Ophir Cavalvanti, o ministro "demorou".

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"Evidente que [Palocci] demorou, evidente que continua demorando. É necessário não só a explicação em rede nacional, é necessário que a imprensa nacional, em entrevista coletiva, possa indagar alguns aspectos ao ministro a fim de que se esclareça de uma forma bem ampla essa questão", disse o presidente da OAB, ao participar de um encontro das seccionais da Ordem em Belo Horizonte.

Para Cavalcanti, o risco é de uma explicação "pela metade". "Se não acontecer isso (entrevista coletiva), a explicação ficará somente pela metade e isso, do ponto de vista ético, do ponto de vista moral, é algo que compromete a reputação do ministro."

Oposição. O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou nesta sexta que as eventuais justificativas de Palocci não demoverão a ideia da oposição de tentar convocá-lo para dar explicações ao Congresso. 

O tucano observou que uma entrevista não esclarece a suspeita de enriquecimento ilícito. "Ele tem de ser questionado, as questões em jogo são de profundidade, não são superficiais. Ele não é um cidadão comum que pode responder somente à Justiça, ele tem que dar satisfações à sociedade. O comparecimento dele ao Congresso é indispensável", argumentou o tucano. Três requerimentos de convocação do ministro - de autoria dos senadores Dias, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Demóstenes Torres (DEM-GO) - serão votados na próxima quarta-feira, 8, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A votação dos requerimentos já foi adiada duas vezes, por entendimento entre oposição e governo. A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou a convocação do ministro na quarta-feira, 1º, mas o presidente Marco Maia (PT-RS) sinalizou que vai anular o ato.

A oposição não tem maioria numérica na CCJ, mas espera contar com a adesão de governistas de perfil independente, como o senador Pedro Simon (PMDB-RS) - que pediu da tribuna o afastamento imediato de Palocci do governo - e o pedetista Pedro Taques (MT). Dias acrescentou que continuará trabalhando para colher assinaturas para abertura de uma CPI contra o ministro. Também afirmou que tentarão convocá-lo em outras comissões, caso saiam derrotados na CCJ.

A presidente Dilma Rousseff pediu a Antonio Palocci que desse explicações ao País sobre o aumento de seu patrimônio o mais rápido possível, não esperando pelo pronunciamento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre o assunto. A avaliação no Planalto é de que o desgaste do ministro já atingiu o governo.

 

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