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Para o pós-pandemia, campanhas propõem escolas no fim de semana e dinheiro para comerciantes

Propostas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo apresentadas ao TSE incluem planos de recuperação da economia e do ensino público

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2020 | 14h01
Atualizado 04 de outubro de 2020 | 20h37

Entre os desafios do futuro prefeito de São Paulo, o mais imediato deles é o enfrentamento de um cenário ainda fortemente impactado pela pandemia da covid-19. Da abertura de escolas e postos de saúde nos fins de semana à distribuição de computadores e empréstimos financeiros, as propostas de governo dos candidatos à Prefeitura apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) projetam planos de recuperação da economia, do ensino público e do atendimento médico na capital. 

As propostas são ainda listas e tópicos sobre os temas, sem aprofundamento. Nenhuma delas apresenta os custos das medidas ou a origem das fontes de recursos para financiá-las. 

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o deputado Celso Russomanno (Republicanos) apresentou um plano emergencial para a educação pós-pandemia – batizado de “Programa de Recuperação Pedagógica” –, que prevê acolhimento psicológico dos professores, semana de readaptação dos alunos, contratação de mais professores temporários e reforço no contraturno. O ex-governador Márcio França (PSB) batizou sua proposta de “Onda Emergencial”, e prevê que o reforço poderá ser feito também aos fins de semana. A oferta de reforços escolar também está no plano do prefeito Bruno Covas (PSDB).

A proposta é vista com ressalvas por profissionais da educação e representantes do setor. O vereador Claudio Fonseca (Cidadania), presidente licenciado do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem), ressalta que o processo de seleção para a contratação de professores temporários leva tempo, e que haveria necessidade convencimento dos docentes de trabalharem aos fins de semana. 

“As escolas têm um projeto pedagógico para concluir o ensino fundamental em nove anos. O que elas precisam é rever esse projeto para concluí-lo em oito”, afirma Fonseca, cujo partido apoia o atual prefeito. 

Equipamentos

Russomanno, Covas (PSDB) e a deputada Joice Hasselmann (PSL) citam ainda a entrega de computadores ou tablets para alunos do ensino fundamental terem aulas em casa e recuperar o tempo perdido. No caso do deputado federal, a lista de propostas traz uma plataforma digital em que o aluno teria aulas e faria exercícios, que demanda tablets e chips de acesso à rede. Covas lembra em seu plano que a Prefeitura já iniciou processo para compra de 465 mil tablets para os alunos – a aquisição foi paralisada pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) por 19 inconformidades no edital de licitação. 

Por sua vez, Joice afirma que esses equipamentos têm custo “em torno de R$ 1 mil” e que poderiam ser comprados para “todo aluno que se enquadre nos critérios socioeconômicos” para recebê-los, sem citar quais seriam os critérios.

Ontem, durante visita a uma feira livre no Jaçanã, zona norte, Russomanno afirmou que qualquer plano para a recuperação dos alunos deve ser construído pelos docentes da rede municipal. “Quero ouvir os professores, ouvir o que estão pensando e modernizar”, disse. O candidato do Republicanos afirmou, por outro lado, que toda proposta de aquisição de equipamentos como os tablets deve vir acompanhada de um plano para as aulas a distância. Não adianta só entregar o tablet”, afirmou.

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O candidato Guilherme Boulos (PSOL) cita em seu plano “garantir equipamentos eletrônicos e internet para todos os estudantes durante o período de pandemia”, sem falar especificamente o uso de tablets. Seu plano prevê que as aulas presenciais retornem “somente quando for seguro” e promete mais professores na rede. O programa de Jilmar Tatto (PT) cita tablets, com aulas somente após a testagem de todos os alunos – ação que a Prefeitura anunciou. Marina Helou (Rede) sugere uma “busca ativa” por alunos na retomada, prevendo que a evasão escolar possa aumentar entre os mais velhos. 

Saúde

Para combater os gargalos criados pela pandemia na área da saúde, as soluções dos planos de governo dos candidatos também apontam para tecnologia. Praticamente todos eles citam incremento da telemedicina, atendimento médico feito a distância que ganhou força durante a crise do coronavírus. 

A capital tem um programa do tipo em implementação na zona norte, que depende de garantir computadores com câmeras e sinal de internet em todas as mais de 420 Unidades Básicas de Saúde. 

Propostas como de Andrea Matarazzo (PSD) prometem ainda sistemas para coleta de dados das famílias, para monitoramento e prevenção de doenças.

Planos citam  renda básica e empregos

Os planos do candidatos a prefeito de São Paulo no pós-covid também trazem sugestões para aumentar a oferta de empregos na cidade e há citação de ações de transferência de renda, nos moldes do Bolsa Família, programa do governo federal.

Boulos  propõe o programa “Renda Solidária”, para “garantir que nenhuma família fique sem uma renda mínima”. O valor do benefício não é descrito na proposta. Celso Russomanno também já declarou a intenção de criar um programa de transferência de renda, que seria chamado “auxílio paulistano”, mas tal proposta não está no plano que sua equipe apresentou à Justiça Eleitoral.

Boulos e Márcio França têm em suas propostas a criação de frentes de trabalho emergenciais, com os atuais desempregados executando serviços de zeladoria urbana. Boulos cita a contratação dessas pessoas por meio de cooperativas. Já França fala em jornada de trabalho reduzida e pagamento de R$ 600, abaixo do salário mínimo.

Mas França tem uma proposta voltada ao comércio, segmento dos mais atingidos pela pandemia, em que promete oferecer crédito de até R$ 3 mil aos lojistas. “Sem fiador, só sua assinatura”, afirma o texto.

“São duas formas. A primeira é um empréstimo de até R$ 25 mil para 25 mil comerciantes que fecharam as portas, com a única condição ser reabrir e gerar emprego”, disse. “A segunda é esse empréstimo especial, de R$ 3 mil, para as pessoas fazerem empreendimento, para até 100 mil pessoas. Ela fica um ano sem pagar, depois paga em 30 prestações de R$ 100”, complementou. “Tudo isso junto custa R$ 700 milhões, R$ 800 milhões. De onde vai sair o dinheiro? Vamos cortar 99% dos cargos de confiança da Prefeitura neste primeiro ano”, prometeu.

Bruno Covas promete em seu plano criar 49 mil empregos fomentando a construção de novas moradias. 

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