Para o Fórum, era atual é da "globocolonização"

O presidente do Centro Tricontinental, o belga François Houtart, afirmou nesta sexta-feira, no Fórum Social Mundial (FSM), que a capital gaúcha é um ?novo princípio? e, ao mesmo tempo, a continuidade das manifestações anti-neoliberalismo de Seattle, Washington e Praga. ?Pela primeira vez, estamos reunidos para fazer a nossa própria agenda e não para seguir a dos outros?. Houtart presidiu o debate ?Como fortalecer a capacidade de ação das sociedades civis e a construção do espaço público?, realizado pela manhã.O escritor brasileiro Frei Betto, a militante feminista canadense Diane Matte, uma das coordenadoras da Marcha Mundial das Mulheres 2000, a socióloga Mary Castro, da Universidade Federal da Bahia, e o sindicalista sul-coreano Park Hasson, representante da central sindical coreana KCTU, foram os demais conferencistas. Houtart assinalou que, antes de dialogar com o Forum Econômico de Davos, será preciso reforçar o movimento social. ?Só existe possibilidade de diálogo com equilíbrio de forças?, sustentou.As críticas a Davos, identificado como promotor de um mundo desumano, minado pela banalidade, o individualismo, as privatizações, o desemprego e o consumismo, afloraram logo no começo da discussão. ?É a ?globocolonização?, a nova versão do velho colonialismo. Só que, agora, em vez das tropas, vem o capital?, classificou Betto, referindo-se ao espírito que, a seu ver, o fórum da Suíça representa. Para demonstrar o ?retrato de Davos? , sustentou que apenas as fortunas de quatro milionários norte-americanos, entre eles, Bill Gates, somam mais dinheiro do que 42 nações, com 600 milhões de habitantes.Também atacou a ?imbecilização? promovida pela TV e pediu ao Congresso nacional a adoção de um mecanismo de controle social das emissoras e o fim das concessões. ?Não é censura. Quem faz censura são apenas os donos das TVs, que são meia dúzia de famílias no Brasil?, atacou. Estabelecendo uma relação entre os rumos da economia e da política globalizadas e o comportamento social, mencionou o caso de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Nos anos 50, segundo ele, havia seis livrarias e duas academias de ginástica na cidade do interior paulista. ?Hoje ? comparou ? são 60 academias e seis livrarias?. E observou: ?Assim morreremos todos esbeltos e sarados?. Lembrou que a nova cultura capitalista despreza todo aquele que for ?feio, velho ou gordo?. Desculpando-se pela precariedade do seu inglês, o coreano Park Hasson previu uma nova onda de demissões em seu país, que atribuiu à cartilha neoliberal dos atuais administradores. Diane Matte apelou às organizações de mulheres de todo o mundo para escreverem cartas ao presidente George W. Bush, protestando contra o corte de subvenções às entidades que defendem o aborto. ?É inaceitável esta forma de controle do ventre das mulheres?, opinou.Mary Castro cobrou maior pressão da sociedade civil organizada sobre os consulados brasileiros, recordando o grande volume do tráfico de escravas sexuais para a Europa. Pediu atenção para o problema dos emigrantes brasileiros, que já somam 1,5 milhão. ?Este tipo de atenção não pode ser apenas das entidades européias?, criticou. Disse que a esquerda descuidou do tema e pediu mais empenho no acompanhamento, por exemplo, da situação vivida por 300 mil brasileiros que emigraram para o Paraguai.Também lembrou a situação dos migrantes e imigrantes no Brasil, vítimas de preconceito. ?O Estatuto dos Estrangeiros é da época da ditadura militar?, reparou.

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