Para neto, Covas faria coro a Jarbas contra corrupção

Reunidos numa missa no Mosteiro de São Bento, no centro de São Paulo, seguidores Mário Covas renderam-lhe hoje uma homenagem, dia em que a morte do do ex-governador paulista completou oito anos. Após a solenidade, o neto de Covas, o deputado federal Bruno Covas (PSDB-SP), disse acreditar que o avô faria coro ao senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que denunciou rotinas de corrupção no PMDB, no governo federal e no Congresso. Em represália a Jarbas, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), acusado de pagar pensão por meio de um lobista para uma filha fora do casamento, destituiu o senador da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). "Ele (Mário Covas) estaria a toda lá em Brasília, obviamente do lado de Jarbas."Um dos mais dedicados pupilos do ex-governador, o secretário de Estado do Desenvolvimento e também ex-governador paulista, Geraldo Alckmin, afirmou que Covas condenaria os últimos acontecimentos políticos no Congresso. "Os princípios de ética e honra de Covas são um legado necessário e atual, que fazem falta na política brasileira hoje", disse. "Covas dizia que um homem público deveria ter caráter e apreço pela democracia. Mas uma coisa é democracia, a outra é esse troca-troca (de favores)."Para o deputado federal José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, a política nacional passa por um processo de "rebaixamento". "Se Covas estivesse lá hoje, isso não estaria acontecendo", disse. "Em Brasília, quando Covas falava, os outros silenciavam."Cerca de 130 pessoas assistiram à missa, celebrada por dois padres da zona leste da capital paulista, Antônio Marchioni, o Ticão, e Rosalvino Moran Vinãyo. Bruno Covas e a prefeita em exercício Alda Marco Antonio (PMDB) leram passagens da Bíblia no altar. "O ímpio, que observa a justiça, preserva a própria vida", dizia o texto pronunciado por Bruno. O trecho do Evangelho de São Mateus citado na missa fazia referência à importância da reconciliação entre adversários.Padre Rosalvino, que esteve ao lado do leito de morte de Covas, fez um sermão sobre a atuação do amigo junto à população carente. "Emprestamos a ele uma camisa limpa depois de um evento ao ar livre em um dia de chuva, pois ele estava encharcado. Alguns dias depois, como agradecimento, ele mandou doar a minha comunidade oito ternos seus", contou Rosalvino. "Covas nos convoca a dizer que tudo tem jeito. São memórias que jamais tirarei da minha mente, meu coração e meu trabalho." Emocionado, Alckmin tirou os óculos e enxugou os olhos com um lenço.AusênciasForam sentidas as ausências de caciques tucanos - como o governador paulista José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O padre fez menção à ausência de Serra e ponderou, "com certeza, ele gostaria de estar aqui". A missa começou às 11 horas e Serra tinha compromisso oficial às 13h30 no interior do Estado. Padre Rosalvino encerrou a missa com um grito de "Viva Mário Covas", repetido com vigor pelos seguidores do tucano.

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